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sexta, 22 de fevereiro de 2019 - 11h24min

Esgoto de 487 casas vaza em córrego

17 AGO 10 - 06h:43
bruno grubertt

Moradores do Residencial Ramez Tebet, situado próximo ao Bairro Universitário, na saída para São Paulo, em Campo Grande, inaugurado há um ano, têm sofrido com o vazamento de esgoto. Os dejetos, que vazam de um duto caem em uma área de preservação ambiental onde existe uma nascente e, junto com a água, formam um córrego e uma pequena  lagoa contaminada, ambiente em que crianças se refrescam nos dias de calor. Mesmo pagando taxa pelo tratamento do esgoto, os moradores convivem com mau cheiro e risco de contaminação.
De acordo com Carlos Augusto Martinez, 60 anos, que mora na Rua Fidélis Bucker, quando ele se mudou para o local, em agosto do ano passado, o problema já existia. “A gente tem que conviver com esse cheiro horrível”, disse ele, que fez questão de mostrar a conta de água, em que aparece a cobrança pelo tratamento de esgoto. De acordo com a esposa dele, o cano estourado “não aguentou as primeiras descargas”. Os dois, que dizem já ter entrado em contato com a concessionária Águas Guariroba várias vezes para comunicar o problema, desistiram de tentar.
O local por onde o esgoto escorre é chamado de posto de visitação (PV) – aquelas tampas metálicas circulares encontradas ao longo das vias públicas da Cidade. O duto é um dos caminhos que leva o esgoto das 487 casas para a estação de tratamento.
Próximo dali, Severino Pedro da Silva, de 60 anos, arrenda 2 hectares de terra onde mantém uma horta. Ele, que vive há 40 anos na região, disse que teve de encontrar formas de desviar o esgoto para que a sujeira não contamine a água da nascente, que ele usa para irrigar as verduras. “Se é a gente que deixa um ‘esgotinho’ de nada estourar em casa, leva multa. Agora, aqui, nada acontece”, reclamou.
Segundo ele, antes do vazamento, era possível coletar a água da nascente para consumo. Agora, com a contaminação, ficou impossível. “As crianças tomam banho nessa água”, contou Severino. Gustavo, um menino de 9 anos que guiou a reportagem até o local onde a água e o esgoto unem-se, formando uma lagoa, confirmou a informação.

Explicação
A Águas Gariroba, empresa responsável pelo abastecimento de água e tratamento do esgoto em Campo Grande, enviou equipes para o local ontem à tarde e, segundo a assessoria de imprensa da concessionária, foi verificado que havia uma “obstrução da rede” causada pelo acúmulo de sacos plásticos e outros tipos de lixo sólido, jogados pelos próprios moradores.
De acordo com a Águas Guariroba, o problema é muito comum e, por conta do acúmulo de materiais que impedem a passagem do esgoto pelo duto comum, o esgoto acaba vazando pela tampa metálica do posto de visitação.
Sobre a alegação de que já teria sido acionada pelos moradores e de que o problema persiste há quase um ano, a empresa afirmou que, muitas vezes, a grande demanda de chamados inviabiliza a visita em algumas localidades. Mesmo assim, a empresa alerta para que, caso seja constatado algum problema na rede, o usuário entre em contato pelo telefone 115.
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