sexta, 20 de julho de 2018

MERCADO DA CARNE

Escassez faz preço do boi bater recorde histórico no Brasil

28 OUT 2010Por Edivaldo Bitencourt00h:00

 A falta de boi gordo no mercado fez o valor da arroba bater recorde histórico no Brasil nesta quarta-feira. Em Mato Grosso do Sul, pela primeira vez, a cotação superou a marca dos R$ 100. Em São Paulo, na BM&FBovespa, conforme a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo, a cotação foi de R$ 107,60, superando a máxima registrada há 11 anos, em 11 de novembro de 1999 (R$ 106,01).

No Estado, o valor da arroba do boi gordo acumula alta de 38,8% em relação a janeiro, quando estava em R$ 72. De acordo com o analista de mercado da Rural Business, Júlio Brissac, os frigoríficos pagaram R$ 100 à vista e R$ 102 a prazo, ontem. A alta surpreendeu o mercado, que esperava superar esta marca apenas em dezembro. O aumento é reflexo da falta de animais para abate no mercado.

"Boi gordo é uma mercadoria raríssima hoje", ressalta Brissac. A tendência é de alta nos próximos meses, considerando-se que a demanda está aquecida e deverá crescer com a chegada das festas de fim de ano e do Natal. O encarecimento atinge o mercado da carne na América do Sul. Na Argentina, os 15 quilos bovinos já custam R$ 120.

"É um preço excepcional de bom", analisa o pecuarista e analista de mercado Rogério Goulart. Ele destacou que o recorde anterior, de R$ 90, tinha ainda a cobrança do Funrural.

Para o presidente da Câmara Setorial de Bovinos de Mato Grosso do Sul, José Lemos Monteiro, a maioria dos produtores não deverá aproveitar o boom do mercado porque não dispõe de animais prontos para abate. Quem tinha boi gordo, já comercializou com a indústria antes da alta. Ele prevê que os preços só vão começar a recuar no início de 2011, quando o gado engordado no pasto, após as chuvas dos últimos dias, for colocado a venda.

 Consumidor
Nos últimos três meses, o preço do quilo da carne vermelha acumula alta de até 35% na Capital. O quilo da picanha custa em torno de R$ 25. Mas em algumas capitais, conforme Brissac, o produto já custa R$ 60, superando até o bacalhau, considerado um artigo de luxo nas ceias da Semana Santa.

A cadeia da carne enfrenta outra crise, de falta de capital de giro. Desde o ano passado, pecuaristas participam de campanha de só vender o boi à vista. Na semana passada, frigoríficos decidiram encurtar o prazo para os supermercados, de 15 a 28 dias, para apenas sete dias. Para Brissac, o lucro da carne bovina fica com o supermercado, que tem margem de lucro de até 70%.

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