segunda, 23 de julho de 2018

GRANJAS E SÍTIOS

Escândalo de contaminação com dioxina alarma a Alemanha

9 JAN 2011Por France Presse16h:36

O escândalo da dioxina assumiu proporções alarmantes na Alemanha depois do fechamento de mais de 4.700 granjas e sítios por causa de um risco de contaminação, ao mesmo tempo em que são denunciados graves casos de negligência.

O ministério alemão da Agricultura anunciou na noite desta quinta-feira que mais de 4.700 granjas e sítios produtores de alimentos serão interditados provisoriamente diante do risco de contaminação por dioxina, a maior parte na Baixa Saxônia, no norte do país.

A medida, decretada por precaução, envolve 4.709 granjas e sítios, sendo 4.468 da Baixa Saxônia, cuja capital é Hanover.

A decisão, adotada após a distribuição nos meses de novembro e dezembro de ração contaminada com dioxina, afeta especialmente os criadores de porcos, precisou o ministério.

Até que se prove que não há contaminação, estes sítios e granjas não poderão entregar seus produtos.

"Esta estratégia explica o elevado número de interdições, que deve ser reduzido nos próximos dias, após a realização dos testes", destacou um funcionário do ministério. "Os Estados estão agindo por precaução".

Segundo o governo alemão, até 150 mil toneladas de ração destinada ao gado foram contaminadas. Entre novembro e dezembro passados, 3 mil toneladas do produto caíram na cadeia produtiva de alimentos, sendo 2.500 toneladas na Baixa Saxônia.

Um índice de dioxina superior ao aceitável foi encontrado no final de dezembro em ovos vendidos na Alemanha, Holanda e Grã-Bretanha.

Durante a tarde, o ministério regional da Agricultura de Schleswig-Holstein (norte) confirmou a presença de contaminação por dioxina em ração animal produzida pelo grupo Harles und Jentzsch.

As autoridades regionais também suspenderam todas as entregas de empresas ligadas à produção de ração.

O ministério da Agricultura disponibilizou um número de telefone para informar os cidadãos sobre o problema.

A ministra da Agricultura, Ilse Aigner, telefonou para o comissário europeu da Saúde, John Dalli, para defender que as normas europeias proíbam que "empresas de ração animal também produzam matérias destinadas à indústria técnica".

Harles und Jentzsch produz tanto ração animal como produtos à base de gordura para a indústria em geral.

As dioxinas, resíduos da combustão, industrial ou natural, são classificadas como substâncias cancerígenas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Sua absorção em pequenas quantidades não constitui perigo imediato, mas o corpo humano tem dificuldade para eliminá-las.

A contaminação dos ovos com dioxina já havia sido provada.

A Harles und Jentzch, grupo com sede em Uetersen (Schleswig-Holstein, norte), entregou 3.00 toneladas de gorduras contaminadas a uns vinte produtores de forragem.

O rastreamento dos ovos contaminados levou à Holanda, de onde fora exportados 136.000 ovos suspeitos, e à Grã-Bretanha, país para onde também foram enviados produtos à base desses ovos.

Segundo fontes européias, 86.000 ovos, ou seis toneladas, foram misturados com ovos holandeses para obter um lote de 14 toneladas que foram enviados à Grã-Bretanha.

Os demais 50.000 ovos foram misturados com 14 toneladas de ovos locais, para preparar três partidas distintas de alimentos processados.

Agora resta estabelecer as responsabilidades do caso e a causa da contaminação.

Segundo o jornal Hannoversche Allgemeine Zeitung (HAZ), Harles und Jentzsch estava a par desde março passado de uma contaminação em seus produtos.

Uma análise havia revelado naquele momento uma taxa de dioxina duas vezes superior ao permitido, mas esses resultados não foram comunicados ao ministério da Agricultura de Schleswig-Holstein, segundo o jornal.

As autoridades abriram uma investigação judicial contra a Harles und Jentzsch.

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