terça, 17 de julho de 2018

Erenice sucumbe a denúncias e pede demissão do cargo

17 SET 2010Por 18h:42

Brasília

Erenice Guerra não é mais ministra-chefe da Casa Civil. A sucessora de Dilma Rousseff (PT) não resistiu às denúncias de tráfico de influência e lobby envolvendo seu filho, Israel Guerra, e pediu demissão. A saída foi oficializada na tarde de ontem. Ela foi substituída interinamente pelo secretário-executivo Carlos Eduardo Esteves Lima. Ainda na quinta-feira (16), líderes tucanos consideraram a demissão uma “confissão” de culpa. Nos próximos dias, a previsão é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nomeie a subchefe de Avaliação e Monitoramento, Mirian Belchior, como a nova ministra.
Ontem, a candidata petista à presidência elogiou a decisão da ex-ministra e sucessora. Dilma Rousseff também ressaltou “não estar envolvida” no escândalo. “Considero que a ministra Erenice tomou a atitude mais correta, porque, como o caso exige investigação, é sempre bom que se afaste para garantir que a investigação corra da melhor forma possível”, disse. “Não estou envolvida neste caso. Como estou? Onde está a prova?”, questionou.
O candidato adversário, José Serra (PSDB), voltou a associar, na propaganda eleitoral gratuita, Dilma a Erenice e ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Diretamente, não fez qualquer crítica à candidata, mas uma narração deu o tom. “Dilma assumiu e trouxe Erenice. As duas estão juntas desde 2003. Erenice era braço direito de Dilma. Uma mandava, a outra obedecia”, afirma o ator, citando que o caso envolve “tráfico de influência, contratos sem licitação e sócios laranjas”.

Acusações
O empresário Rubnei Quicoli afirmou ontem à Agência Estado que a Casa Civil é palco de lobby e que a empresa do filho da ministra Erenice Guerra cobrou 5% da EDRB do Brasil Ltda. para conseguir um financiamento de R$ 9 bilhões junto ao BNDES. “Foi a maior patifaria o que fizeram. Fizeram terrorismo”, disse. A então ministra, segundo ele, participou de uma reunião no ano passado.
Segundo Quicoli, em meio às negociações com os intermediários em Brasília, foi pedido ainda o valor de R$ 5 milhões para ajudar na campanha presidencial de Dilma Rousseff. “Eu disse que não podia pôr tudo junto numa mala. E que precisava de nota fiscal de uma empresa como prestadora de serviço”, afirmou. O pedido de dinheiro para a campanha, de acordo com Quicoli, foi feito pelo ex-diretor de Operações dos Correios Marco Antônio de Oliveira. Essa negociação teria sido intermediada pelo filho de Erenice Guerra. A revelação foi feita ontem ao jornal Folha de S. Paulo.
A EDRB do Brasil buscava empréstimo junto ao BNDES para viabilizar um projeto de energia solar que estava parado desde 2002. Consultor da EDRB, Quicoli disse que a Casa Civil deu a orientação para procurarem a Capital Assessoria, empresa em nome de Saulo Guerra, filho de Erenice, mas que é comandada por outro filho da ex-ministra, Israel. Foi feita então a minuta de um contrato, no valor de R$ 240 mil, mais o percentual de 5% sobre os R$ 9 bilhões.
O empresário afirma que a própria Erenice participou de uma reunião na Casa Civil com os representantes da EDRB em novembro do ano passado. A reunião, segundo ele, foi agendada por Vinicius Castro, ex-assessor da Casa Civil e cuja mãe é sócia da Capital Assessoria. Vinicius pediu demissão no início da semana.

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