Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

SAÚDE

Epidemia de cólera atinge Haiti e mata 142 pessoas

23 OUT 2010Por AGÊNCIA ESTADO, SAINT MARC03h:12

Pelo menos 142 pessoas morreram em uma epidemia de cólera no Haiti e mais de mil foram internadas, disse ontem um diretor do Ministério da Saúde do Haiti, Gabriel Thimothe. Grupos de ajuda humanitária se mobilizam ontem para levar remédios e outros suprimentos para combater a pior crise de saúde registrada no país desde o violento terremoto de janeiro.
A epidemia na região rural de Artibonite, que recebeu milhares de refugiados do terremoto, parece confirmar o que os grupos humanitários temiam sobre a falta de saneamento básico para os sobreviventes do tremor que perderam suas casas. Muitas pessoas têm vivido em condições péssimas, em verdadeiras cidades de lona e outros acampamentos improvisados.
A região rural do departamento (estado) de Artibonite fica na parte norte do Haiti e é formada por vales desmatados e plantações de arroz.

“Nós estamos temendo isso desde o terremoto”, disse Robin Mahfood, presidente da Food for the Poor, entidade que prepara voos com doações de antibióticos, sais para os desidratados e outros suprimentos.

Muitos dos doentes foram até o Hospital St. Nicholas, na cidade costeira de Saint Marc, onde centenas de pacientes com desidratação repousavam sobre cobertas em um estacionamento do hospital, recebendo medicamentos intravenosos em seus braços enquanto esperavam por outros tratamentos.

O diretor do Ministério da Saúde, Gabriel Thimothe, disse que testes em laboratório confirmaram que a doença é o cólera.

“A preocupação é que ela possa ir de um lugar para outro, e isso pode afetar mais pessoas ou se mudar de uma região para outra”, advertiu o presidente da Associação Médica do Haiti, Claude Surena. O cólera é uma infecção bacteriana que se dissemina pela água contaminada. A doença causa diarreia e vômitos que podem levar à desidratação e à morte em algumas horas. O tratamento inclui a reidratação.

Há décadas não ocorria uma epidemia de cólera no Haiti, segundo o Centro para Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos Autoridades haitianas, incluindo o presidente René Préval, apontavam a falta de epidemias como um suposto sucesso da resposta oficial ao terremoto.

Mais de um milhão de pessoas ficaram desabrigadas pelo desastre, mas especialistas advertiam que a doença poderia atingir os campos de desabrigados, onde ninguém recolhe o lixo adequadamente e há acesso limitado à água potável.

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