Quarta, 17 de Janeiro de 2018

Entressafra acentua crise dos frigoríficos

31 AGO 2010Por 08h:24
A falta de bois prontos para abate no mercado reduz o ritmo nos frigoríficos, faz disparar a carne no varejo e preocupa o governo federal. A saúde financeira das empresas do setor foi recentemente tema de reunião dos representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) dos estados da Região Centro-Oeste e deve resultar em mais crédito ao setor, segundo o chefe da Superintendência Federal de Agricultura (SFA) em Mato Grosso do Sul, Orlando Baez, que participou do encontro.
Segundo ele, os ministérios da Agricultura, do Planejamento e da Fazenda devem anunciar saídas para o inferno astral que paira sobre as plantas da região nas próximas semanas. Ele defende que frigorífcos precisam de investimento público ainda maior. “O governo deve mostrar ‘uma luz no fim do túnel’, talvez alguma linha de financiamento para a indústria”, prevê.
A entressafra diminuiu a oferta de animais para abate, e comprometeu escalas das indústrias.“Nós temos um problema sazonal de seca, e isso implica nos custo operacional dos frigoríficos”, explica o presidente da Associação dos Figoríficos de MS (Assocarne), João Alberto Dias.
Ele estima em 40% a queda nos abates desde junho, início da entressafra. Pelo menos outras 11 empresas baixaram as portas nos últimos anos no Estado por conta da crise no setor, segundo informações da Superintendência Federal de Agricultura (SFA).
Uma das três plantas em Mato Grosso do Sul da JBS, maior companhia de proteína animal do mundo, em Campo Grande, paralisou a operação. Ontem, a companhia comunicou aos investidores que pode reduzir a produção na Argentina ou até vender unidades no país por causa da escassez de bovinos.
Para o chefe da SFA, Orlando Baez, a estimativa de 40% de queda nos abates durante a entressafra é exagerada. Dados oficiais mostram apenas retração de 5,3% entre junho (289,1 mil animais) e julho (273,5 mil animais).“Eles (os frigoríficos) dizem que o grande giro deles vinha dos subprodutos, como o couro, que tiveram os preços depreciados, por isso estão nessa situação”, afirma Baez. O abate de fêmeas durante a crise causada pela febre aftosa, em 2005, também se reflete hoje. Nos anos seguintes à doença, faltaram fêmeas para reprodução, o que enxugou o rebanho. (CHB)

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