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Conselho Nacional

Ensino médio noturno pode ficar mais longo

6 ABR 2011Por Estadão04h:25

O ensino médio noturno pode durar mais tempo. Se as novas diretrizes para essa etapa da educação básica forem aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) hoje, o aluno que estuda à noite poderá ficar de um semestre até um ano a mais na escola. A ideia é que ele tenha menos horas de aula por dia, com a possibilidade até mesmo de explorar recursos de educação à distância no currículo.

A proposta é uma das que compõem o documento que pretende flexibilizar o currículo do ensino médio, trazendo a escola para dentro da rotina do aluno e, assim, tornando-a atraente. Com isso, o conselho quer valorizar o projeto político-pedagógico e a identidade de cada escola.

O ensino médio é hoje a etapa mais problemática da educação brasileira. Os dados do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram que os alunos matriculados não sabem que metade é 50% e também não conseguem identificar a ideia principal de um texto, por exemplo. Eles receberam nota 3,6, numa escala de 0 a 10, no índice. Além do baixo desempenho, o ensino médio enfrenta uma evasão crônica. Dados de 2009 mostram que 32,8% dos brasileiros entre 18 e 24 anos abandonaram os estudos antes de completar o terceiro ano.

"No caso do ensino médio noturno, sabemos que é difícil manter o aluno quatro horas por dia na escola, pois muitos chegam atrasados do trabalho e saem antes do fim da aula. Por isso, flexibilizar essa grade é importante", afirma José Fernandes de Lima, relator das diretrizes e membro da Câmara de Educação Básica do CNE. "Isso dará ao aluno a possibilidade de concluir essa etapa em três anos e meio, quatro anos ou até mais." Hoje, o ensino médio dura três anos.

Segundo Lima, a possibilidade de aulas não presenciais também consta entre as propostas. "Colocar atividades de educação à distância também é uma opção para esses alunos."

A ideia, segundo ele, não é excluir nenhuma disciplina tradicional - como matemática ou língua portuguesa -, mas enfatizar temas que tenham a ver com a vida dos alunos e façam parte da rotina deles, como cultura, tecnologia, trabalho e ciência.

"O currículo deve ser melhor articulado com o cotidiano desse jovem", afirma Mozart Neves Ramos, do Movimento Todos Pela Educação e também membro do CNE. "A alta evasão é consequência de um currículo que não leva em consideração o que ele vive. É um currículo chato, que não prepara nem para universidade e nem para o mercado."

Segundo ele, ter menos horas na escola por dia, no caso de quem estuda à noite, é um fator importante e positivo. "É melhor fazer em mais anos do que ficar as quatro horas por dia e não aprender nada."

As diretrizes não são obrigatórias: são orientações que as escolas de todo o País podem seguir - as que estão em vigor são de 1998. "Incorporamos as várias mudanças de legislação, as transformações nos comportamentos da escola e os programas do Ministério da Educação que ocorreram no decorrer desses anos", afirma Lima. "A escola tem de se modernizar."

Antes de ser aprovada, a proposta ainda pode sofrer alterações. Após o aval do CNE, o documento ainda segue para homologação do ministro da Educação, Fernando Haddad.

Desinteresse


Segundo um levantamento da Fundação Getúlio Vargas, de 2009, 40,1% dos jovens de 15 a 17 anos abandonam a escola por desinteresse e 27,1% saem por razões de trabalho e renda.


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