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Energia é conectada aos seis reatores em Fukushima

22 MAR 2011Por estadão16h:08

A Tokyo Electric Power Co. (Tepco), operadora da usina nuclear Daiichi, em Fukushima, informou hoje que a linha de eletricidade externa foi conectada aos seis reatores do complexo, um ganho modesto na luta das autoridades japonesas para conter a crise na usina e que virou um assunto de preocupação internacional. Porém um aumento da radiação, no final da tarde (horário local), bem como contínuas emissões de fumaça e vapor de dois dos reatores mais problemáticos, colocaram em evidência a incerteza da situação, enquanto o governo e os trabalhadores da usina lidam com um acontecimento sem precedentes.

A empresa informou hoje que substâncias radioativas excedendo os níveis normais foram detectadas na água do mar, de acordo com o jornal The Wall Street Journal, o que aumenta a possibilidade de contaminação que a usina pode provocar na vida marinha após a radiação ter sido detectada em alimentos produzidos na região.

O esquadrão de resgate do Corpo de Bombeiros de Tóquio jogou hoje cerca de 180 toneladas de água no reservatório de água do local de armazenamento de combustível do reator 3, usando um canhão de água de um caminhão de bombeiros. Um caminhão alemão também jogou 150 toneladas de água no reservatório do reator 4. Os funcionários temem que o combustível nuclear usado e armazenado no local se aqueça e libere material radioativo.

A radiação no portão principal da usina saltou subitamente para 472.2 microsierverts (unidade usada para indicar danos biológicos causados pela radiação) por hora, às 19h30 pelo horário local. No resto do dia, a radiação voltou a cair para 235.9 microsierverts por hora. Em comparação, um sessão inteira de raio-X dentário resulta numa radiação de 400 microsierverts. Funcionários da Tepco afirmam que a radiação subiu no local por causa de uma mudança na direção dos ventos.

A Tepco e a autoridade reguladora nuclear japonesa afirmam que não sabem qual é a fonte de fumaça cinza que continuava a subir do reator 3 da usina nesta terça-feira, ou o que parecia ser vapor que vazava do reator 2. Um porta-voz da Tepco disse que a fumaça parecia estar em redução no final da tarde, enquanto o vapor ficou menos visível. Embora o significado das emissões não seja claro, elas também não foram acompanhadas por um forte aumento na radiação, sugerindo que uma combustão de material nuclear não deve estar ocorrendo em ambos os reatores.

Com o trabalho de hoje, os seis reatores estão conectados à rede local de eletricidade. Isso poderá ajudar os trabalhadores a usar os sistemas de resfriamento dos reatores para manter baixa a temperatura do material radioativo e evitar a liberação de lixo radioativo.

O prazo para verificar se o sistema de refrigeração está seguro e funciona, contudo, não é claro. O porta-voz da Tepco disse que o próximo desafio é verificar se os sistemas de resfriamento, incluídas bombas e outros equipamentos, funcionarão de maneira adequada em cada reator. Ele disse que a iluminação foi restaurada na sala de controle do reator 3, enquanto a sala de controle do reator 4 terá luz elétrica em breve.

A Tepco também informou hoje que os sistemas de resfriamento dos reatores 5 e 6 estão funcionando, dando um impulso aos esforços de recuperação. Os dois reatores foram os menos danificados pelo terremoto e pelo tsunami e não foram o foco da preocupação em Daiichi, embora na semana passada o combustível nuclear usado e armazenado nas unidades tenha começado a se aquecer. Se os sistemas forem restaurados, o combustível será resfriado de maneira mais efetiva.

Também hoje, a Agência de Segurança Nuclear e Industrial do Japão informou que foram detectados níveis de radiação maiores que os permitidos na água do mar próxima ao complexo, aumentando a possibilidade de que a contaminação da usina possa se espalhar entre a vida marinha. A agência afirma que não existe risco para os humanos, uma vez que as pessoas foram retiradas da região ao redor da usina.

Segundo a agência, amostras retiradas do fundo do mar, 330 metros ao sul da usina, mostraram que a quantidade de iodo-131 excedia o limite permitido em mais de 29,8 vezes, em comparação a 126,7 vezes na tarde de ontem. A agência alertou o Ministério da Agricultura do Japão para possíveis desdobramentos na indústria de alimentos marinhos. As informações são da Dow Jones.

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