Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

André X Funai

Encontro fundiário é marcado por polêmica

27 MAI 2011Por FÁBIO DORTA/DOURADOS00h:04

Foi marcado por polêmica entre o governador André Puccinelli (PMDB) e o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio) Márcio Meira o seminário denominado Questões Fundiárias em Dourados, realizado anteontem e ontem no anfiteatro da Unigran.

Com o plenário praticamente cheio e uma plateia formada na maioria por produtores rurais, estudantes universitários e lideranças indígenas, o clima esquentou durante a fala do governador. André Puccinelli defendeu uma saída negociada para permitir a demarcação, mas acusou a Funai de não trabalhar como deveria em favor dos índios e de incentivar a expropriação de terras.

André também falou sobre as ações do Governo do Estado em favor dos índios, mas acabou vaiado quando afirmou que a área de 1.240 hectares, onde moravam cerca de 30 famílias de colonos, desapropriada pela União no distrito de Panambi em 1995 para assentar os índios da Aldeia Panambizinho, tornou-se improdutiva.

"Os donos das terras foram expulsos da área, as famílias de índios tomaram conta do lugar e hoje o que tinha de produção lá virou quiçaça", afirmou. O governador foi chamado de mentiroso por um índio que estava na platéia e retrucou, aumentando ainda mais o clima de tensão. "Mentiroso é você", afirmou.

O governador disse ainda que na Justiça tramitam 39 ações de desapropriação de terras em 26 municípios da região sul do Estado e afirmou que o fato está trazendo intranqüilidade aos produtores rurais e prejuízos financeiros ao Estado. Ele sugeriu que terras pertencentes ao Reverendo Moon e a traficantes sejam desapropriadas para o assentamento de famílias indígenas.

O presidente da Funai disse que os ataques do governador contra o órgão não colaboram para um entendimento. "É esse tipo de visão que não ajuda quem busca a conciliação, quando você se julga o dono da verdade", afirmou Márcio Meira.

A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, alertou que produtores e indígenas precisam ceder para que haja uma saída negociada. "Precisamos resgatar uma dívida histórica que temos com as nações indígenas (...). Mas os ruralistas têm suas razões, afinal, essas terras não foram griladas".

Leia Também