Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

domingo, 17 de fevereiro de 2019 - 14h54min

Encenação

1 MAI 10 - 05h:30
Em tese, os vereadores de Campo Grande têm obrigação de analisar detalhadamente todos os projetos que são encaminhados pelo Executivo. Por isso, nada mais natural que "travem" a medida que prevê mudanças importantes na lei do uso do solo na região sul da cidade, ainda mais numa época em que a cidade inteira quer saber o porquê dos estragos provocados pela chuva no cruzamento da Rua Ceará com a Ricardo Brandão e dos alagamentos ao longo do Córrego Prosa. A maior parte dos especialistas diz que é fruto da ocupação desordenada da região centro-norte da Capital. Por isso, novas mudanças precisam  ser criteriosamente estudadas.

    Contudo, até o mais ingênuo dos campo-grandenses sabe que não deve ser por zelo com a cidade que os vereadores não aceitaram votar a medida no afogadilho, como pretendia o Executivo. Nem nesta nem em outras legislaturas verificou-se esta preocupação. O atual grupo, por exemplo, votou um pacote de medidas minutos depois de tomar posse. Nem mesmo o título dos projetos muitos deles chegaram a ler. Quer dizer, há décadas os vereadores dizem amém a tudo o que é encaminhado pelo prefeito, o que é de conhecimento público e não acontece somente em Campo Grande.
    Por isso, não é necessário ser muito esperto para concluir que algo estranho existe sob esta repentina preocupação. O próprio prefeito Nelsinho Trad chegou a admitir que os vereadores estavam fazendo "barganha suja" ao retardarem a votação do projeto que permite a vinda de construtora mexicana que pretende edificar 3,1 mil imóveis na saída de Campo Grande para São Paulo. Embora tenha tentado recuar e jogar a responsabilidade pela "alfinetada" à imprensa, as gravações impediram e o conflito aberto instalou-se entre os dois poderes. Após reunião a portas fechadas, chegou-se ao acordo de que na segunda-feira o projeto será votado. Se alguém cedeu ou se foi concretizada alguma "barganha suja" neste encontro a portas fechadas, protegido por quase uma dúzia de guardas municipais, só os participantes podem dizer.

    Por outro lado, os vereadores alegaram que o projeto ficou tramitando durante mais de dois meses em órgãos da própria prefeitura e por isso não poderiam, agora, ser responsabilizados por uma possível desistência da construtora mexicana caso não aprovassem a medida a tempo e ela optasse por fazer o investimento em São José dos Campos. Quer dizer, ao enviar o projeto num dia e esperar que a Câmara o votasse no dia seguinte, o Executivo deixou claro, mais uma vez, a relação de submissão de um poder em relação ao outro. Ou seja, o prefeito tinha absoluta certeza de mais um "sim senhor" por parte dos vereadores, indicando que ambos fazem de conta que são independentes e autônomos. Como isto não aconteceu, classificou a resistência como "barganha suja", o que possivelmente aconteceu, pois a Câmara está pleiteando repasse superior ao previsto até agora. Este episódio é somente mais um de uma longa história do mais escancarado "jogo do faz de conta". Até mesmo os supostos oposicionistas, que em determinados períodos realmente existem, estão subindo e descendo deste palco mediante às ordens do diretor desta peça teatral.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

Nenhum candidato se atrasa para concurso de Magistério
PROVA

Nenhum candidato se atrasa para concurso de Magistério

Deputados temem estoque
IMPORTAÇÃO

Deputados temem estoque "monstruoso" de leite da UE

Operação da PM aborda 117 pessoas   e apreende drogas durante a noite
OPERAÇÃO SATURAÇÃO

PM aborda 117 pessoas e apreende drogas

Anta é fotografada de madrugada   ao cruzar rua de shopping
SHOPPING

Anta é fotografada
ao cruzar rua movimentada

Mais Lidas