Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

estratégia

Empresas oferecem bônus e café da manhã para manter trabalhador na construtora

5 DEZ 2010Por Carlos Henrique Braga 02h:50

A sala de diversões não é o único "extra" que a Construtora Carvalho, com sede em Goiânia (GO), oferece. A estratégia de fidelização dos funcionários inclui bônus por produtividade, café da manhã, almoço, vale-transporte e cesta básica. Alguns itens são obrigatórios, mas nem todos os empregadores cumprem a convenção.

"A maior vantagem é a fidelização dos funcionários, eles gostam de ser tratados com carinho", diz o engenheiro de execução Fernando Lino Moresco, que ainda assim enfrenta a fuga de operários. Há semanas em que metade dos contratados deixa os postos em busca de outras áreas e funções.

Quem fica, tem a oportunidade de crescer. A ex-garçonete Fabiana dos Santos Polastrini, de 22 anos, foi de servente de pedreiro a fiscal de pista, em três meses. O salário pulou de R$ 523, o piso, para R$ 1,5 mil. Recém-casada, ela não faz planos de ficar, embora tenha descoberto uma vocação. "Aqui eles têm diálogo como funcionário, os chefes não esnobam você, e isso é muito importante, faz a gente querer mais", afirma Fabiana.

Ela é frequentadora assídua da mesa de sinuca, e encara os homens de frente. "No começo eles estranhavam e reclamavam quando perdiam, dizendo ‘vamos tirar essas mulheres do jogo’, mas agora a gente joga junto", conta a fiscal. No local, a presença feminina não é mais estranha. Elas ocupam funções que antes apenas eles tinham domínio. A revolução, forçada também pela escassez de mão de obra, já foi mostrada pelo Correio do Estado.

A profissional costuma dividir a mesa com Antonio Clemente de Jesus, veterano de 45 anos bom de taco. O local de trabalho melhorou muito desde que começou. No passado, os contratantes eram menos generosos. "Tive problema com comida, no Mato Grosso, e tive de dar um jeito de voltar para cá", lembra. Ele recebe ofertas semanalmente de construtoras, mas, por enquanto, está "tranquilo": "É bom poder escolher", diz.

O engenheiro também vai para a mesa de pingue-pongue com os funcionários. Para vir do Paraná, Moresco teve o salário dobrado, prova de que também é preciso cuidar bem dos funcionários mais especializados para não perdê-los. (CHB)

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