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Campo Grande - MS, quarta, 14 de novembro de 2018

TRÊS LAGOAS

Empresas dão chance de trabalho para presos

28 FEV 2011Por Ana Maria Barbosa21h:09

A alta demanda por mão de obra em Três Lagoas tem possibilitado a abertura de oportunidades de capacitação, trabalho e renda também para aqueles que estão encarcerados, cumprindo pena nos presídios do município, ou que passam por programa de reabilitação por dependência química.
Atualmente, o Senai está capacitando, em construção civil, internos da comunidade terapêutica Desafio Jovem Peniel, homens de várias idades que passam pelo programa de recuperação da dependência de álcool, e ontem (28) assinou termo de cooperação para o treinamento de 20 das 42 internas do presídio feminino de Três Lagoas, que já sairão do curso de confecção prontas para atender à demanda da Sultan, fábrica de enxovais instalada no município.
Outra medida para capacitar mão de obra de apenados foi anunciada na semana passada, quando a prefeitura repassou R$ 200 mil para que o Conselho da Comunidade construa um galpão para treinamento profissional no presídio semiaberto da cidade.
Este recurso é parte da devolução do duodécimo da Câmara Municipal, em 2010, e foi requisitado pelo diretor do fórum de Três Lagoas, juiz Eduardo Floriano de Almeida, e mediado pelo Ministério Público, visando dar ocupação aos presos ao mesmo tempo em que são capacitados para a reinserção social. Ainda não foi definida a instituição que fará as capacitações, mas a obra do galpão será executada por presos do regime fechado. Atualmente, cerca de 200 pessoas são condenadas ao regime semiaberto no município.
O convênio assinado ontem pela prefeitura, empresa Sultan, diretoria do presídio e por Sérgio Longen, presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), na presença da vice-governadora, Simone Tebet, vai permitir que as internas do presídio feminino façam os cursos dentro do próprio estabelecimento penal e que recebam três quartos do salário mínimo vigente, o equivalente a R$ 400,00 mensais, pela confecção de roupa de cama e mesa. Além disso, para cada três dias trabalhados, conquistarão um dia de redução da pena.
No presídio feminino, outras seis internas trabalham para a empresa Health Nutrição, prestando serviços na cozinha, com salários também de três quartos do salário mínimo.
O diretor-regional do Senai, Jaime Verruck, ressaltou que o projeto é uma boa possibilidade, tanto para as internas como para a fábrica. “A indústria necessita de mão de obra qualificada e as internas terão a oportunidade de se capacitarem e, quando saírem, terão uma possibilidade melhor de emprego”, afirmou.
Segundo a diretora da unidade penal, Marcela Dias Maio, estas parcerias têm mão dupla: resolver problemas de pessoal das indústrias e prestadoras de serviço e dar uma real chance para a recuperação. “A filosofia é de que não devemos só depositar a pessoa para cumprir o tempo de pena, mas oferecer a oportunidade que grande parte delas não teve até cometer os crimes”, afirmou. Hoje, 85% das presas cumprem pena por tráfico.
A opinião de Verruck e de Marcela é compartilhada pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marco Garcia de Souza. “A demanda das indústrias e da construção civil é grande, todos têm dificuldades para contratar. Quando temos a chance de inserir os presidiários no mercado de trabalho, há ganhos para todos os lados”, disse.
O secretário lamentou que, atualmente, não existe estrutura para que as instituições formadoras de mão de obra possam desenvolver projetos semelhantes no Presídio de Segurança Média, destinado a presos masculinos em regime fechado.
No caso do Desafio Jovem Peniel, os treinamentos em construção abrangem as áreas de armador, pedreiro, elétrica e hidráulica, tendo já encerradas duas turmas de carpintaria de formas e armador, com 20 vagas cada.
O objetivo é capacitar pessoal que poderá ser empregado na construção da fábrica de fertilizantes da Petrobras e da fábrica de celulose da Eldorado Brasil, abrindo oportunidade para quem está saindo do tratamento contra a dependência, direto para o mercado de trabalho. “Quando eles concluírem o tratamento, estarão prontos para trabalhar e terão vagas quase que garantidas, porque o mercado está com escassez demão de obra qualificada. É uma perspectiva para que não voltem à dependência”, afirmou o pastor Marcos Rogério Martins Araújo, diretor da casa de recuperação.
Além da nova oportunidade profissional, os treinamentos dentro dos programas de recuperação ou de cumprimento de penas são considerados parte da laborterapia, que auxilia no comportamento dos internos.

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