sábado, 21 de julho de 2018

MERCADO DE TRABALHO

Empresas aéreas ampliam contratações

9 JAN 2011Por Carlos Henrique Braga00h:00

Movimento acelerado nos aeroportos e também nas contratações das companhias aéreas. Líderes do setor, TAM e Gol, admitiram 2.160 tripulantes no ano passado, entre comissários e copilotos e o quadro de trabalhadores vai continuar aumentando. A primeira pretende abrir mais 600 vagas neste ano.

A carreira de comissário ganhou a preferência de jovens profissionais, que desejam chegar a algum lugar rápido e não se importam em tomar café da manhã em Porto Alegre (RS) e jantar em Manaus (AM), desde que acumulem pontos no saldo bancário para realizar seus sonhos de consumo.

“Eu sei que é meio brega dizer isso, mas eu tenho paixão por voar, sempre tive”, admite Waldemir Rocha, recém-contratado pela TAM como agente de aeroporto, em Campo Grande. Ele voou pela primeira vez no mês passado a São Paulo, para o treinamento da empresa, e não quer ficar mais no chão.

Com curso de comissário concluído e diploma de jornalista trancado no armário (“foi uma decisão sem volta”), ele vai esperar dez meses para poder concorrer a uma vaga na aeronave. “Algumas empresas exigem pelo menos um homem no voo para conter passageiros, acalmá-los ou fazer coisas para as quais têm mais força’, explica o futuro comissário, determinado a chegar a piloto com a poupança.

Os salários para comissários são mais atraentes que os de início de carreira para a maioria das profissões. Em grandes empresas, eles começam nos R$ 4 mil, segundo Fabiane Oliveira, da Fly Company, da Capital, que em 2010 formou cerca de 200 profissionais. O menor salário é de pouco mais de R$ 2 mil, em companhia novata que ela prefere não citar o nome. Pilotos começam por cima, em R$ 7 mil, em média, mas o caminho não é fácil, nem barato.

Se Waldemir pagou R$ 2 mil para tornar-se apto a ocupar uma vaga de comissário, vai precisar de R$ 35 mil para sentar na cadeira do comandante do avião. O que pesa mais são as horas de voo, pagas a aeroclubes por todo o País. Na TAM, são necessárias seis mil horas para passar de copiloto a piloto.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) resolveu dar uma mãozinha para estimular a formação de pilotos, evitando confirmar a tese dos mais alarmistas de que a falta desses profissionais provocará um “apagão” aéreo sem precedentes. Ela banca 75% dos custos para os admitidos no programa “Bolsa-Piloto”.

No ano passado, 236 foram contemplados. Até agora, a agência não decidiu quando aplicará as provas neste ano nem a quantidade de vagas que abrirá. Para concorrer, o aluno deve ter concluído 25% do curso.

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