quarta, 18 de julho de 2018

MUNDO

Embaixador do Brasil no Egito apoia dissolução do Parlamento

13 FEV 2011Por PORTAL TERRA23h:49

O embaixador do Brasil no Egito, Cesário Melantonio Neto, considerou a decisão de dissolver o Parlamento egípcio e de suspender a constituição do país como o "caminho mais natural" para se estabelecer a democracia. De acordo com o embaixador, não há como construir um governo democrático com um Parlamento eleito sob suspeita de fraude e com uma constituição redigida sob um regime ditatorial.

"Esse é o caminho mais natural para a democracia no Egito. Podemos até comparar com a história do Brasil. Em nossa transição para a democracia, após o regime militar, precisamos de um novo Parlamento e formamos a Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou uma nova Constituição para o País, regida por valores democráticos", disse o embaixador em entrevista à Agência Brasil.

A decisão de dissolver o Parlamento e de suspender a constituição foi anunciada neste domingo pelo conselho supremo das Forças Armadas do Egito, que governa o país desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak na última sexta-feira.

O Parlamento egípcio foi eleito em novembro de 2010. As suspeitas de fraudes nas eleições eram fortes e a população não acreditava que Mubarak havia conseguido 97% dos assentos. A Irmandade Muçulmana, partido de oposição à Mubarak, disse que a fraude nas eleições havia eliminado sua presença no Parlamento. Com isso, a reeleição de Mubarak nas eleições presidenciais desse ano estaria garantida.

De acordo com o embaixador, a decisão do Conselho Supremo das Forças Armadas de manter interinamente nos cargos os ministros de Mubarak, inclusive o primeiro-ministro Ahmed Shafiq, se deu por razões meramente econômicas e não se sabe até quando os interinos ficarão no poder. "Seria arriscado não mantê-los neste momento. Mas não se sabe até quando eles ficarão", afirmou.

Os protestos contra Mubarak paralisaram o país e provocaram prejuízos econômicos em vários setores, com efeitos nos bancos, na bolsa de valores, no turismo. "O comércio parou", detalhou o embaixador. Antes do início dos protestos, organismos internacionais que previam um crescimento da economia egípcia em torno de 6,5% para 2011 passaram a reestimar esse percentual em 3,7% após o início das manifestações.

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