segunda, 16 de julho de 2018

SAÚDE

Em 1 semana, casos suspeitos de superbactéria sobem 25% no DF

16 OUT 2010Por Terra18h:28

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal divulgou nesta sexta-feira que o número total de pacientes suspeitos de serem portadores da bactéria super-resistente Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) é de 135. O crescimento é de 25% em relação à semana passada, quando o governo informou um total de 108 casos suspeitos, de janeiro a outubro deste ano. Apesar disso, a secretaria diminuiu o número de mortes ligadas à infecção. Na semana passada, eram 18 óbitos, mas três foram descartados como sendo relacionados à KPC. Até o momento, a bactéria foi identificada em 16 hospitais, nove públicos e sete privados.

Ao adquirir uma enzima, a bactéria se tornou resistente a um grupo de antibióticos, incluindo os mais potentes contra infecções, e pode se tornar insensível aos três únicos antibióticos que restaram para o seu tratamento. De acordo com a infectologista Ana Cristina Gales, apenas os antibióticos aminoglicosídeo, polimixina e tigeciclina ainda combatem a bactéria. "Ela pode se tornar resistente aos outros e aí não tem saída, não tem como tratar (...) o nome de superbactéria não é porque ela é mais forte, mas porque se ela ficar resistente não tem como tratar a infecção. Ela mata mais porque reduz as opções de tratamento", disse.

A KPC pode afetar qualquer órgão, no entanto, os casos mais frequentes são pneumonia e infecção urinária, segundo a infectologista. O microorganismo foi diagnosticado pela primeira vez em 1996, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

A KPC é uma bactéria hospitalar e, portanto, não oferece risco à comunidade, desde que a pessoa não seja hospitalizada, segundo Ana. A infectologista disse que, se os hospitais tomarem as medidas de prevenção, a bactéria pode ser controlada. "Lavar as mãos antes de examinar os pacientes, evitar mexer nos pertences do interno e isolar os infectados pode ajudar a conter a proliferação", disse.

Uma preocupação da infectologista é que a enzima adquirida pela bactéria é altamente transmissível a outros microorganismos. "Ela pode transmitir esta características e fazer mais bactérias insensíveis a antibióticos", disse. Por este motivo, Ana enfatizou a importância do controle da KPC.

Casos em São Paulo
Recentemente, a presença da KPC foi identificada no Hospital das Clínicas, em São Paulo. A instituição, no entanto, negou que exista um surto desta bactéria, apesar de confirmar que 70 pacientes foram diagnosticados com o microorganismo, desde 2009. O HC informou que a bactéria não causou morte de internos.

Em nota, o hospital informou que "o número de casos foi controlado da mesma maneira que para outros organismos multi-resistentes comuns em ambientes hospitalares". O hospital ainda divulgou que os pacientes infectados ou colonizados foram isolados para o controle do agente.

Segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo, não há surto da KPC no Estado e a bactéria é comum em ambientes hospitalares. A secretaria ainda disse que é feito um trabalho de controle de qualidade e higienização nos hospitais e que a população não corre risco de contrair a KPC.

Em relação aos outros Estados, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que solicitou informações da situação às secretarias de Saúde, mas até a tarde desta sexta-feira elas não haviam enviado.

Leia Também