Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

CASO BRUNO

'Ela não me escutou', diz amiga de Eliza

17 NOV 2010Por G121h:16

A Justiça de Osasco, na Grande São Paulo, ouviu na tarde desta quarta-feira (17) mais uma testemunha do caso Eliza Samudio. Por temer pela exposição de sua família, a gerente operacional de 37 anos não quis ter o nome divulgado. Ela contou ao G1 que morou com a ex-amante do goleiro Bruno por quase dois anos, tempo em que abrigou a moça em sua casa, na Zona Oeste de São Paulo. Eliza teve um filho e atribui a paternidade ao atleta, que está preso acusado de envolvimento no desaparecimento da jovem.

Na sala da Vara do Júri e Execuções Criminais do Fórum de Osasco, a gerente disse ter sido questionada sobre o tempo em que viveu com Eliza. Ela estava acompanhada do seu advogado, Marcelo Marcochi. Na saída da audiência, que começou por volta das 14h, ela informou que Eliza chegou a sua casa no Natal de 2007. “Era dia 25 de dezembro. Eu a recebi porque ela veio com uma amiga em comum. Não tinha onde ficar.”

De acordo com ela, Eliza a tinha “como uma mãe” e costumava ouvir seus conselhos. “A condição para ela ficar lá em casa era ter uma vida regrada”, afirmou a gerente, admitindo, entretanto, que não conseguiu demover da jovem a ideia de se afastar da vida do goleiro. “Ela não me escutou. Eu abominava esses relacionamentos com jogadores de futebol”, contou a mulher.

“Eu já tinha meus filhos (são quatro) e ainda peguei a Eliza. Não queria que ela fosse embora de casa. Eu criaria o Bruninho (filho dela) também”, afirmou a gerente, garantindo que “nunca teve contato”com o atleta. Para a testemunha, o envolvimento com jogadores de futebol é “ilusório” e Eliza "era muito sonhadora”.

Porte atlético
De acordo com a gerente, a jovem paranaense não procurava homens com dinheiro. “Ela gostava de jogador de futebol, gostava do porte atlético deles.” A testemunha contou que ficou sabendo da gravidez pela própria Eliza em julho do ano passado, quando a ex-amante do goleiro estava no Rio de Janeiro.

Segundo ela, depois que conheceu Bruno, em abril, a moça passou a ficar menos na casa dela em São Paulo, já que ia para a capital fluminense se encontrar com o goleiro. A gerente disse não ter dúvidas de que Bruno possa ter mandado matar Eliza após saber que ela não quis fazer um aborto. “Do jeito que ele falou, ele fez. Disse que ia matá-la, sumiria com o corpo e ninguém ia saber”, afirmou a testemunha, reproduzindo o trecho de uma conversa que Eliza disse ter tido com o goleiro e que depois relatou a ela.

O último contato das duas foi em outubro de 2009. “Foi uma conversa muito dura. Ela tinha um enorme respeito por mim”, contou a testemunha, informando que tinha pedido para que Eliza desistisse de entrar em uma briga judicial com o goleiro, que não estava disposto a assumir a criança. “A Eliza queria formar uma família. Ela gostava do Bruno. Ficou encantada por ele.”

O advogado Marcelo Marcochi contou que a testemunha tinha um primeiro depoimento marcado para o dia 11 deste mês, mas ele não ocorreu porque nenhum representante da defesa de Bruno se apresentou para a audiência. "Agora, o juiz nomeou um advogado. É como se o advogado do Bruno se fizesse presente", disse Marcochi, informando que o homem fez perguntas à testemunha mesmo não estando no caso.

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