segunda, 16 de julho de 2018

VIDA SEXUAL

Ejaculação feminina

29 NOV 2010Por Bel Vieira/Bolsa de Mulher00h:25

A cama estava pegando fogo, estilo ‘se-melhorar-estraga’, com aquela intimidade que só vem com o tempo. Até que aconteceu. A felizarda, quer dizer, a advogada Raquel M., 27 anos, estava na sua posição preferida, por cima, quando teve um orgasmo inesquecível. Só não contava com um detalhe: o lençol ficou simplesmente encharcado! Raquel tomou um susto e pensou que tivesse feito xixi. Você também não faz a menor idéia do que era aquele aguaceiro todo? Iremos explicar tintim por tintim o que é (e o que não é) ejaculação feminina.

O tema não é consenso entre os especialistas. Sem muita informação sobre o assunto, é comum que as mulheres se sintam confusas quando são pegas de surpresa pelo líquido transparente que não é água nem xixi e ensopa os lençóis quando a temperatura esquenta. É o que conta a estudante Rose J., em dúvida sobre o que escorre entre suas pernas. “Não sei se o que acontece comigo é exatamente ejaculação. Não sai ‘um jato’, mas fica uma poça imensa na cama, de um líquido que sai no momento em que gozo. Isso deve ser ejaculação, né?”, questiona, revelando que quando a tal enchente acontece, não importa se o nome é ejaculação ou não, o prazer é maior do que o orgasmo.

Melhor que orgasmo?
Existe isso?

A produtora Vitória R. já experimentou (e repete com certa frequência!) os prazeres da ejaculação e garante que é essencial conhecer o próprio corpo. “Não passo aperto na arte de gozar porque me conheço, tenho liberdade e clareza para dizer ao homem o que gosto”, ressalta. Para chegar lá, a produtora ensina o caminho das pedras. “Acontece quando fico deitada com as pernas para cima, presas no pescoço dele. Essa posição estimula o ponto G”, revela.

O aguaceiro é tão grande que ela já chegou a pensar que o gozo era do homem e que a camisinha havia estourado. “Às vezes causa até uma confusão sobre quem gozou, sabe? Tipo, furou a camisinha, ó não! Até que percebo que fui eu que ejaculei um jato d’agua forte”, explica. Sem se preocupar com questões de nomenclatura, o fato é que molhar a cama não é lá a coisa mais comum no mundo e o namorado pode ficar com aquela cara de interrogação. “Eu explico para ele que isso acontece, que é sinal de muito prazer e tal, porque teve um que pensou que fosse xixi!”, conta Vitória.

Já Raquel diz que não dá pra confundir, porque não tem cheiro e é claro, quase transparente. “O único incômodo é molhar tudo. Uma vez rolou numa barraca de camping e foi um tanto constrangedor”, lembra.

Mas, afinal de contas, o que é e da onde vem a chamada ejaculação feminina? A opinião dos profissionais acerca do tema é polêmica: há os entusiastas e os que garantem que isso não passa de uma tremenda bobagem. Por isso, fizemos questão de ouvir e, claro, contar para vocês os dois lados da moeda.

Opiniões
Primeiro as damas: com a palavra, a sexóloga Marilene Vargas, que afirma que toda mulher ejacula – até você! “Durante a excitação, um líquido é produzido pelas glândulas parauretrais chamadas de Skene. Ao atingir o orgasmo, a vagina se contrai liberando de 15 a 200 ml desse líquido. Sempre que gozamos, ejaculamos também, talvez de modo imperceptível porque o volume é pequeno – daí confundirmos com lubrificação. Só que algumas mulheres chegam a esguichar até 300 ml, ensopando a cama”, explica.

Marilene ressalta que a quantidade expelida varia com o tempo das preliminares e também o grau de envolvimento do casal, devido ao hormônio da fidelidade, a vasopressina. “A ejaculação feminina é semelhante a do homem, só que sem espermatozóide. Possui os mesmo 80 elementos e maior quantidade de frutose. O cheiro é próximo ao odor natural da vagina, de acordo com as características de cada mulher”, revela.

Animada para ejacular 300 ml hoje à noite? Então espere até ouvir o que o sexólogo Cássio dos Reis tem a dizer. Segundo ele, a ejaculação é uma característica exclusiva dos homens e o esguicho a que uma minoria de mulheres se refere é na verdade lubrificação excessiva, nada além. “A mulher não tem os órgãos necessários para ejacular, de modo que as contrações no momento do orgasmo simplesmente ajudam o corpo a liberar o excesso de secreção produzido durante a excitação”, afirma Cássio, que explica que algumas mulheres têm mais lubrificação por questões orgânicas ou até aspectos psicológicos como a capacidade de se entregar ao prazer.


 

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