Terça, 20 de Fevereiro de 2018

Unei

Educadores fazem novas exigências

17 NOV 2010Por NADYENKA CASTRO02h:25

Após motim e fuga no último sábado, os agentes de medidas socioeducativas da Unidade Educacional de Internação (Unei) Dom Bosco, que funciona no antigo prédio da Colônia Penal Agrícola, em Campo Grande, decidiram ontem pela manhã suspender o acompanhamento em audiências, a guarda dos internos durante as aulas e no atendimento psicológico e de assistente social. Fica mantido o trabalho de carceragem e os atendimentos emergenciais. Os agentes prometem voltar à rotina quando for regulamentado o uso de algum instrumento de segurança. Eles ainda não se manifestaram sobre a resolução da Sejusp, tomada à tarde.

Em assembleia realizada ontem, além de suspender a rotina, os servidores fizeram uma pauta de reinvidicações à Secretaria de Segurança Pública. De acordo com a presidente do Sindicato dos Servidores da Administração, Lílian Fernandes, os agentes querem a regulamentação de equipamento de contenção; aumento de efetivo; reajuste salarial e capacitação profissional, principalmente na área de gerenciamento de crises.

Lílian explica que o instrumento de segurança pode ser a tonfa (cassetetes), escudo, uniforme. "Se não é a tonfa, qual é o instrumento? A gente quer a regulamentação". Os agentes prometem voltar ao atendimento normal na Unei quando for autorizado o uso de equipamentos de contenção. Eles justificam a necessidade do uso do equipamento dizendo que com isso, poderiam impor mais respeito e ainda dar mais segurança aos próprios adolescentes, pois muitos que ali estão, são de gangues rivais e podem, a qualquer momento, iniciar uma briga.

Conforme os servidores, o último concurso para agente foi em 2005 e, de lá para cá, muitos aprovados desistiram do emprego, outros estão na área administrativa e muitos de licença médica. Tudo isso contribui para a defasagem de pessoal e por isso a necessidade de aumento do efetivo. Hoje são menos de 300 servidores no Estado. Seria necessário o dobro disso.

No dia do motim havia 67 adolescentes e nove agentes, sendo que três foram feridos pelos infratores, que estavam com armas artesanais. Os agentes também querem, entre outros itens, o aumento de R$ 800 para R$ 1,5 mil do vencimento mensal. Além do salário, atualmente eles recebem R$ 230 referente ao risco que a atividade tem.

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