segunda, 16 de julho de 2018

Economia do sul era independente

11 OUT 2010Por bruno grubertt03h:00



Em 11 de outubro de 1977, o então presidente Ernesto Geisel assinou  Lei Complementar que tornou oficial, política e territorial a divisão econômica que já existia. O sul de Mato Grosso, naquela época, era responsável por mais de 75% da arrecadação de todo o Estado e concentrava maior parte da população entre os 55 municípios do Mato Grosso uno.
O ano parecia ser todo de boas notícias: a economia sulista ia bem. O território era o maior produtor de soja no País e tinha chances de ser a unidade da federação com maior número de cabeças de boi, o que representaria mais desenvolvimento. Naquele ano, o Estado também sediou a Mini Copa, evento esportivo que reuniu grandes seleções de futebol para comemorar os 150 anos da Independência do Brasil e, ainda no futebol, o time do Operário ficou em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro.
A maior festa do ano, porém, foi comemorar a divisão do Estado, e o consequente nascimento de Mato Grosso do Sul. Um Boeing fretado levou alguns defensores da divisão a Brasília, onde 860 convidados presenciaram o desejo se tornar oficial. Em Campo Grande, município mais cotado para ser a “futura capital do Sul”, foi decretado feriado. Nas ruas, cerca de 50 mil pessoas, segundo estimativas publicadas pelos jornais locais, participaram das comemorações, que incluíram alvorada festiva, passeata e desfile, e acabou se transformando em um carnaval de rua. Na época da Ditadura Militar, manifestações populares eram frequentemente reprimidas. No entanto a daquele dia não tinha intenções de protesto, mas de comemoração.

Primeiro dia
Em 3 de janeiro de 1979, quase dois anos depois da lei que criou Mato Grosso do Sul, o presidente Geisel veio a Campo Grande para astear, pela primeira vez, a bandeira do novo Estado. Ao lado do governador Harry Amorim Costa, foi até o Estádio Pedro Pedrossian – o Morenão –, área da então Universidade Estadual de Mato Grosso. Quase 45 mil pessoas aplaudiram de pé o discurso do presidente. “A tarefa que temos pela frente é imensa. Vamos construir praticamente dois estados: Mato Grosso do Sul, que passa a ter vida política, e Mato Grosso do Norte, que vai se defrontar com novos problemas, talvez problemas mais difíceis, pela necessidade de suprimento de recursos para compensar aqueles que hoje perde”, disse Geisel.

Primeiros acontecimentos
A notícia da instalação de Mato Grosso do Sul foi acompanhada pelo registro do nascimento do primeiro “mato-grossense do sul”, gerado em Campo Grande. Uma garota solteira, de 17 anos, deu à luz um menino na Maternidade Cândido Mariano.
Como nem sempre as notícias são boas, também foi registrada a primeira morte do novo Estado: um homem matou seu irmão a facadas depois de os dois beberem muito e brigarem por causa da posse de um toca discos de vinil.
Foi também em 1979 a criação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, ato que tirou o nome do estado do norte da única instituição pública de ensino superior do território, até então.
Hoje, depois de 33 anos, o desenvolvimento continua e a expectativa de melhorias é constante. Diferente, porém, dos áureos tempos, o time do Operário sequer está na primeira divisão do Campeonato Brasileiro e a chance de sediar a Copa do Mundo ficou com mesmo com a vizinha Cuiabá. *As informações são do arquivo do Correio do Estado

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