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segunda, 18 de fevereiro de 2019 - 19h40min

Economia brasileira deve fazer “pouso suave”

21 JUN 10 - 08h:21
AGÊNCIA ESTADO, RIO

A economia brasileira deve fazer um “pouso suave” depois do superaquecido início de 2010, na visão predominante entre os analistas. Isso quer dizer que, embora não deva ser nada desastroso, o cenário a partir do fim do ano – e, especialmente, em 2011 – será bem menos propenso à euforia. Afinal, a economia deve desacelerar de um ritmo anual entre 7% e 8% para algo entre 3,5% e 5%, os juros devem subir bastante, a inflação permanecerá ainda num nível elevado e o déficit em conta corrente pode crescer.
Além disso, 2011 pode ser o ano em que o novo governo aproveitará para tentar conter o ritmo de crescimento do gasto público, o que significa segurar o reajuste do funcionalismo e do salário mínimo (que indexa milhões de benefícios previdenciários e sociais), mexendo no bolso de boa parcela da população.
“O Brasil vai ter de trazer essa economia aquecida para um nível de crescimento mais razoável, para poder controlar a inflação e o déficit externo”, diz o economista Armando Castelar, do Gávea Investimentos.
Ao contrário de outros momentos do passado, porém, quando o País era obrigado a frear violentamente em função de crises, desta vez a desaceleração tem tudo para ser um processo civilizado, na aposta da maioria dos analistas. “Pouso forçado é coisa do passado, quando o Brasil tinha problemas de solvência; hoje, nós parecemos mais os países desenvolvidos de antigamente, já que os desenvolvidos agora têm problemas parecidos com os que a gente tinha no passado”, resume André Loes, economista-chefe do HSBC no Brasil.

Crescimento
O País cresceu 2,7% no primeiro trimestre, em relação ao último de 2009 (tirando a variação sazonal), o que significa um ritmo anualizado de expansão de 11,2%. Para os próximos trimestres, a maior parte das projeções é de uma cadência bem mais modesta, equivalente a algo entre 4% e 5% ao ano. Por questões estatísticas, mesmo com essa desaceleração, o crescimento anual deve fechar entre 7% e 8%, segundo boa parte das estimativas do mercado financeiro.
“Já há sinais de alguma desaceleração neste segundo trimestre, com boa chance de evoluirmos para um pouso suave”, comenta Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú-Unibanco. A produção industrial de abril, por exemplo, apresentou recuo de 0,7% ante março, descontada a influência sazonal.
Essa oscilação momentânea da atividade, porém, não vai demover o Banco Central de prosseguir na escalada de aumentos da Selic, a taxa básica de juros, para garantir que a inflação do IPCA, o índice oficial, caminhe de volta na direção do centro da meta de 4,5% ao longo de 2011. Em maio, o IPCA acumulava uma variação de 5,22% em 12 meses, e a mediana das projeções de mercado para 2010 é de 5,64%.
O HSBC estima que a Selic saia do nível atual de 10,25% para 12,25% em outubro, o que representa um ciclo de alta de 3,5 pontos porcentuais a partir do nível mais baixo, de 8,75%, que vigorou até abril. Já o Itaú-Unibanco projeta uma Selic de 11,75% no fim de 2010, e mais algumas altas adicionais em 2011, que levariam a taxa básica para 13% – um ciclo de elevações de 4,25 pontos porcentuais. O efeito desse aperto monetário, porém, não é imediato, e deve começar a ser sentido no fim do segundo semestre e, de forma mais intensa, em 2011.
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