Sexta, 15 de Dezembro de 2017

entrevista da semana

'É trabalhar, treinar e jogar para ter a oportunidade de participar da Copa', diz Jean

29 DEZ 2013Por jakson pereira18h:30

Um dos jogadores mais polivalentes do futebol brasileiro, o volante Jean viveu momentos diferentes nesta temporada. Foi campeão da Copa das Confederações com a seleção brasileira e encerrou o ano rebaixado com o Fluminense para a segunda divisão do futebol nacional. Bicampeão Brasileiro e atuando por São Paulo e Fluminense, o jogador não deixa suas raízes pantaneiras de lado e sempre no fim do ano volta a Campo Grande para rever familiares, amigos e jogar partidas festivas de futebol com amigos da época de futsal e categorias de base no campo, já atuou por Operário e Comercial.

CORREIO PERGUNTA: No ano de 2013, você viveu dois momentos distintos: o título da Copa das Confederações e o rebaixamento do Brasileiro. Qual seu sentimento no final datemporada?
JEAN -
No geral foi um sentimento de vitória, principalmente pelo primeiro semestre e individualmente, quando conquistei um espaço na seleção brasileira e joguei a Copa das Confederações. Mas acredito que são dois lados a serem avaliados, individual foi muito bom, não apenas pela seleção, mas por ter sido o ano no qual mais fiz gols na carreira; porém, pelo clube foi mais complicado, coletivamente falando. Acabamos rebaixados, mesmo tendo feito bons jogos na reta final. Quando acabou o torneio veio o erro da Portuguesa, que está nos beneficiando.

Em relação à Seleção, Felipão tinha você como coringa, pois poderia utilizá-lo como volante ou lateral. O que mudou na reta final que deixou você fora das convocações?
O Felipão sempre deixou claro que ninguém tinha lugar cativo na equipe e falava que todos estavam em período de experiência. Todo mundo sabe que joguei de lateral no São Paulo muito tempo, mas no Fluminense estava adaptado como volante, que é a posição onde gosto de jogar. Mas pela falta de opções no mercado e por ele ter acompanhado e gostado das minhas atuações na lateral, viu que tinha qualidade para jogar na lateral também e me chamou. Na reta final o que mudou são as experiências que ele acabou fazendo, mas espero continuar jogando bem e ter uma nova oportunidade.

E para a Copa de 2014, acredita que ainda pode recuperar o seu lugar?
Vou seguir com o meu trabalho, manter o foco, pois tenho muita vontade de ser convocado novamente e ainda sonho jogar uma Copa do Mundo. O meu trabalho e a concentração fizeram com que eu tivesse a primeira oportunidade de ser convocado e acho que não tem segredo, é trabalhar, treinar e jogar para ter a oportunidade de participar dessa Copa.

No meio do ano surgiram especulações sobre seu futuro ser longe do Fluminense e até com propostas de times europeus. Por ser ano de Copa do Mundo pesa na hora de decidir ficar ou sair?
A princípio não tenho propostas, só especulações que acontecem todo fim de ano. Neste momento quero ficar no Fluminense, mas claro que se tiver alguma coisa que seja boa para todo mundo, vamos avaliar. Toda vez que abre janela de transferência falo isso, se for bom para o clube e para mim não tem problema, a gente fica aberto para conversar, pois faz parte do futebol. Eu tenho 27 anos, sei que jogar no Brasil pesa em ano de Copa do Mundo, mas se aparecesse uma proposta irrecusável de um time que não aparece tanto, mas tivesse certeza de que seria convocado para o Mundial, claro que ficaria. Entretanto, a gente sabe que não é assim, não sei o que vai acontecer no futuro e são oportunidades que podem não voltar. Tenho mais uns seis ou sete anos de carreira em bom nível, então, como disse, se ficar vou dar o meu melhor, mas se sair também ficarei feliz.

O Fluminense ficou marcado por ser o primeiro campeão a ser rebaixado no ano seguinte. Qual o sentimento do clube após o jogo contra o Bahia?
Sentimento de tristeza, não tem como esconder a decepção. Foi o trabalho de um ano inteiro jogado por água a baixo. Nosso time fez jogos até melhores que ano passado quando fomos campeões e a vitória não acontecia. Então devido a isso, pelo esforço que não deu certo, foi muita choradeira, com todos sentindo realmente a queda.

Com toda essa confusão envolvendo tribunal para definição dos rebaixados no Brasileirão você tem conversado com a direção do clube sobre a situação e planejamento para a próxima temporada?
A princípio ninguém do clube me ligou, então vamos discutir isso só no início do mês, no retorno das férias. Pelo que estou acompanhando, o Fluminense está envolvido só pelo nome. Diretoria e jogadores não têm nada a ver com o erro da Portuguesa, porém como estamos na posição como último entre os rebaixados, vamos ser beneficiados, mas não estamos envolvidos
diretamente.

Um dos pontos altos do final da temporada foi a criação do Bom Senso F.C. Você faz parte deste grupo? Quais suas expectativas a partir desta organização?
Estou acompanhando por fora, não tenho ligação direta, mas o que é passado a gente avalia e o que for de benefício, bom para o futebol e melhoria dos atletas vou apoiar. Costumo dizer que nós não somos robôs, temos família, vida pessoal, somos seres humanos comuns. Mas o que for para melhorar tem que ser feito, pois cada dia que passa a situação está mais complicada, pois chegamos a fazer oito ou nove jogos por mês e isso fica muito desgastante. Deixamos de ficar muitos dias com a família, curtir os filhos, para poder trabalhar e isso em excesso prejudica.

Nesses primeiros meses de Bom Senso você acha que já mudou algo ou o resultado é mesmo para o futuro?
Já mudou, não teríamos os 30 dias de férias e conseguimos esse direito. A ideia dos clubes era dar 15 dias agora e 15 dias na paralisação da Copa, em junho, então já conseguimos alguma coisa. Não pode mudar isso, precisamos desse tempo de descanso, pois não tem como ter um calendário apertado, com tantos jogos e ter o período de férias encurtado. Graças a Deus deu certo.

Em Mato Grosso do Sul você não conheceu a realidade como jogador profissional, pois saiu muito cedo. Pretende um dia jogar aqui no Estado, pelo menos para encerrar carreira?
Eu tenho essa vontade de jogar no time de coração do meu pai, o Operário. Já joguei lá na base e gostaria de encerrar a carreira, pelo menos um estadual, para dar esse gosto para o meu pai e para mim também, pois é o clube que me abriu as portas. Claro que tive passagem também na base do Comercial, mas o Operário foi onde realmente fiquei mais tempo e pude aparecer para o futebol e tenho essa vontade e esse desejo. Não é agora, mas pode ser daqui a seis, sete ou até dez anos. Se vai acontecer ainda não tenho certeza, mas está no planejamento e espero ter a oportunidade.

A CBF criou a Copa Verde e o futebol sul-mato-grossense, representado pelo Cene, terá a chance de voltar ao cenário nacional e até internacional, pois o torneio oferece vaga para a Sul-Americana. Como você vê essa oportunidade para o futebol do Estado?
Não sabia da realização desta Copa, mas fico feliz pela oportunidade aos clubes do Estado, sei das dificuldades em termos de aparecer para o futebol nacional e é bom saber que um time daqui terá a chance de disputar uma seletiva de torneio internacional, como a Sul-Americana, e espero que com isso os clubes também estejam preparados para viver essa oportunidade única.

A Copa do Mundo está chegando. Você acredita que o Brasil vai estar pronto até o início da competição?
É difícil falar, pois a gente está do lado de fora. Não sei o trabalho que é realizado e como é o planejamento das obras para receber um evento deste porte. Mas tenho certeza de que até lá não vou dizer que tudo estará perfeito e realmente pronto. Mas acredito que o Brasil sabe improvisar bem e o que não estiver pronto, a organização vai conseguir dar um jeitinho e improvisar algumas coisas.

E a seleção brasileira, acredita que vai ser campeã do Mundo?
Olha, se mantiver essa humildade, esse desempenho da Copa das Confederações e dos últimos amistosos, tenho certeza que sim. É um grupo fechado, com amigos que acabei fazendo e é um grupo fantástico, humilde e com grandes jogadores. Se mantiver o foco e a concentração, não tem pra
ninguém. 

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