Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

lado paraguaio

Do outro lado, mais guerra

12 DEZ 2010Por EDILSON JOSÉ ALVES, PONTA PORÃ01h:50

No lado paraguaio da fronteira também existe preocupação com relação à "guerra" no território brasileiro. É que o Paraguai sempre foi visto como verdadeiro paraíso pelos criminosos. Traficantes famosos como Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Marcelinho Niterói e Jaime Amato, antes de serem presos, estabeleceram entreposto e lideravam quadrilhas e traficantes em Pedro Juan Caballero e em Capitán Bado, na divisa com Ponta Porã e Coronel Sapucaia.

O trio comandou durante muito tempo o maior comércio exportador de drogas e armas para grandes centros consumidores do País, em especial o Rio de Janeiro. Eles ainda hoje mantêm bases em vários morros e controlam seu exército de dentro de presídio.

De acordo com informações da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), do Paraguai, as fronteiras com o Brasil estão sendo vigiadas e o combate ao crime organizado intensificado. Há duas semanas, a Senad encerrou mais uma edição da "Operação Aliança", que apresentou como resultado a destruição de 184 hectares de lavouras de maconha, que poderiam render 550 toneladas da droga. As autoridades paraguaias calculam que 80% desse montante seriam destinados às cidades brasileiras.

Mesmo com a prisão do grande líder das facções criminosas do Rio de Janeiro, Fernadinho Beira-Mar, em 2001, a fronteira continua sendo alvo de sua quadrilha.

Seu braço direito, Marcelo Leandro da Silva, conhecido pelo apelido de "Marcelinho Niterói" foi preso em 2006 numa operação da Senad no lado paraguaio da fronteira com Ponta Porã, mas a baixa na hierarquia do grupo do narcotraficante, não foi suficiente para enfraquecê-lo na fronteira. Muito pelo contrário, passado algum tempo, Niterói conseguiu milagrosa proesa: Após ser entregue preso, a Polícia Federal de Ponta Porã acabou dando liberdade por não ter encontrado nenhum mandado de prisão contra o criminoso, que agora está sendo procurado.

O promotor de justiça, à época, Arnaldo Giuzzio, afirmou que "Niterói" era o responsável em receber a cocaína oriunda da Colômbia e da Bolívia para fazer as remessas para o Rio de Janeiro.

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