Terça, 20 de Fevereiro de 2018

Diva de MS para o Brasil

6 OUT 2010Por OSCAR ROCHA22h:05



Tem novidade na música sul-mato-grossense – com possibilidade de reconhecimento nacional. À primeira vista parece mais do mesmo. Um nova cantora fazendo, pela “milésima vez”, versão de “Tocando em frente”, de Almir Sater e Renato Teixeira. Pura avaliação precipitada. A tal versão levou a cantora dourandense Alice Fernandes, 26 anos, à final do Prêmio Divas da Música Brasileira, cuja final acontece hoje, na conceituada Bourbon Street, em São Paulo, onde ela disputará com outras duas cantoras o prêmio máximo da disputa.
Para chegar a esta etapa,
Alice teve que disputar com cerca de 100 candidatas de todos os estados, passando por uma semifinal no Rio de Janeiro. “Não estou acreditando que cheguei até aqui”, diz ela, atualmente cursando Jornalismo numa universidade de Dourados. Mesmo iniciando a carreira aos 18 anos, cantando em bares e restaurantes, nunca se apresentou em shows ou gravou CD. “Na verdade, nunca fiz muita coisa. Posso dizer que está tudo começando agora”, enfatizou ontem pela manhã, ao telefone do quarto de hotel em São Paulo, onde está hospedada, instantes antes de seguir para o ensaio da grande final.
A tal versão que a classificou para participar do concurso, mesmo utilizando música extremamente popular, mostra que a proposta é a de colocar novas possibilidades em composições conhecidas. No caso de “Tocando em frente”, colocou bossa-nova e elementos suingados na toada melancólica interpretada originalmente por Almir Sater. “Gosto de destacar minha identidade nas coisas que interpreto, dar uma carinha diferente para aquilo que as pessoas já conhecem”. O intento dentro do Prêmio Divas da Música Brasileira deu certo. A voz da cantora casa-se com perfeição ao toque do violão e da percurssão, levando o ouvinte a querer ouvir outras interpretações da cantora.

Interesse infantil
Para chegar ao estágio atual, Alice conta que sempre foi ouvinte eclética e atenta. O mundo da música entrou na sua vida de forma abrangente aos 12 anos, quando a irmã mais velha, na época com 15 anos, ganhou um violão. “Ela não gostou muito do presente; quem mais se apegou ao violão fomos eu e meu irmão, que ouvíamos rádio e tentávamos tirar de ouvido, por meio de acordes ensinados por um tio que gostava de samba. Na época, morávamos em um sítio perto de Caarapó”, lembra.
Somente quando se mudou para Dourados – cidade onde nasceu – aos 18 anos,  foi que começou a pensar mais seriamente em música. A oportunidade de se apresentar ao público veio de forma inusitada. “Sempre observava o pessoal cantando em bares e restaurantes, até que um dia fui incentivada a cantar, de improviso, em um desses locais. Deu tão certo, que fui convidada a fazer um teste e, em uma semana, estava cantando em um bar de Dourados”.
Aos 20 anos, foi para São Paulo tentar a carreira artística, mas dificuldades na época fizeram-na retornar para Mato Grosso do Sul. Foi um período em que abandonou a música e dedicou-se aos estudos. Somente depois de ser incentivada a cantar novamente em rodinhas de amigos é que sentiu que podia tentar novos voos musicais e foi pelo twitter que soube do Prêmio Divas da Música Brasileira. “Foi um amigo que me mandou o recado sobre o concurso. Fizemos a versão de ‘Tocando em frente’ numa gravação rápida, tanto que tem um erro de português na letra, mas valeu para o pessoal conhecer o arranjo”.

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