quarta, 18 de julho de 2018

TENTANDO MINIMIZAR

Distribuição de cargos ao 2º escalão é suspensa

4 JAN 2011Por VEJA ONLINE14h:07

O vice-presidente, Michel Temer, tentou nesta terça-feira minimizar a crise entre PMDB e PT, deflagrada pela disputa dos cargos do chamado segundo escalão, que incluem o comando de fundações e estatais. Embora tenha confirmado que a distribuição dos postos ficará suspensa até que haja acordo entre os aliados, o peemedebista garantiu que tudo será feito de forma consensual e que "não haverá dificuldade de diálogo". O vice disse ainda que "não há desagrado" por parte dos membros de seu partido.

Apesar do discurso apaziguador, o PMDB não tem escondido seu descontentamento com o avanço do PT sobre cargos que antes pertenciam à legenda. Em uma de suas demonstrações de irritação, o partido chegou a ameaçar vingar-se do PT em votações importantes no Congresso. A crise fez com que, na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff decidisse suspender a distribuição dos cargos. Ela teme que o PMDB cumpra a ameaça e vote contra o governo em questões importantes, como a votação que definirá o novo valor do salário mínimo.

"Não haverá uma decisão sem que haja uma conversa entre os partidos aliados - inclusive o PMDB. Não haverá dificuldade de diálogo", afirmou Temer nesta terça-feira. Peemedebistas chegaram a anunciar o cancelamento da reunião de lideranças do partido, marcada para a manhã desta terça. Mas o encontro só mudou de endereço: ocorre agora na casa do vice-presidente, e não de José Sarney, presidente do Senado.

Disputa

O PT tem avançado sobre cargos que pertenciam aos peemedebistas – e provocado a ira dos aliados. A mais recente rasteira passada no PMDB foi a escolha do sindicalista Wagner Pinheiro para comandar os Correios. Ligado ao ex-ministro Luiz Gushiken, desde 2003 Pinheiro é presidente do Petros, o fundo de pensão da Petrobras, e foi alvo de investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, em 2005.

A estatal tem orçamento anual de cerca de 12 bilhões de reais, dos quais 500 milhões de reais para investimentos. Partidos aliados do governo, como o PMDB e o PTB, passaram a deter seu controle desde 2004. A partir daí, a estatal, uma instituição secular que gozava de grande credibilidade, acabou sendo envolvida numa série de escândalos. O atual presidente dos Correios, David José de Matos, trabalhava para continuar no cargo, mas não conseguiu convencer ninguém de que deveria ser mantido. Matos é ligado ao PMDB de Brasília.

Petistas avançaram ainda sobre a Fundação Nacional da Saúde (Funasa). O partido da presidente já tirou dos peemedebistas o comando da Secretaria de Atenção à Saúde. O PMDB desistiu de pleitear o comando do Ministério da Saúde de olho na chefia da secretaria, considerada um posto estratégico da pasta. O órgão é responsável pela definição das regras e valores das tabelas do Sistema Único de Saúde (SUS).

'Sem crise' - Caciques dos dois partidos estiveram reunidos na manhã desta terça, durante a posse de Wellington Moreira Franco na Secretaria de Assuntos Estratégicos, e tentaram demonstrar um clima amistoso. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT), garantiu que sua eleição para se manter no cargo no próximo biênio não deve ser ameaçada. "Não há crise. O que é há é um debate legítimo por espaço dentro de um governo que está começando", afirmou. "Não vejo porque um debate do Executivo vai influenciar a Câmara dos Deputados".

Além de Maia, os petistas presentes ao evento foram os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Luiz Sérgio, de Relações Institucionais. Do lado do PMDB, marcaram presença Valdir Raupp, presidente da legenda, e Henrique Eduardo Alves, líder do partido na Câmara. Temer também compareceu à posse.

Moreira Franco, também tratou a divergência como um fato natural e disse que não há crise. Ele, que comandará a antiga Secretaria de Ações a Longo Prazo, apelidada de "Sealopra", afirmou ainda que suas prioridades vão da educação ao tratamento de resíduos sólidos. "Caberá à presidente definir as áreas mais urgentes para as ações da secretaria", afirmou o novo ministro, indicado pelo PMDB.

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