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Viagem

Direitos Humanos não são ‘prioridade’ de Dilma na China

10 ABR 2011Por Folha15h:37

O tema direitos humanos deve ser tratado apenas de forma genérica durante a viagem oficial da presidente Dilma Rousseff à China, que tem início nesta segunda-feira (11). De acordo com a embaixadora Maria Edileusa Fontenele, subsecretária de Política do Itamaraty, o tema não é “prioridade” da agenda de Dilma no país asiático.

A presidente desembarca em Pequim nesta segunda, onde terá reuniões com o presidente Hu Jintao e o premiê chinês, Wen Jiabao. “Não é um tema que tenha elevada prioridade na nossa agenda, mas é um tema importante na relação Brasil-China”, afirmou, em entrevista no Itamaraty.

A embaixadora destacou que os dois países mantêm um diálogo permanente sobre o assunto, por meio dos ministérios de Relações Exteriores dos dois países.

“Direitos humanos é uma área central do Plano de Ação Conjunta Brasil-China 2010-2014, que prevê que ambos os ministérios de Relações Exteriores manterão diálogo sobre o assunto”, afrmou.

Segundo ela, durante a visita de Dilma, o Brasil deverá apenas “expressar, na declaração conjunta, satisfação com o diálogo dos dois países sobre direitos humanos”.

Desde que tomou posse, a presidente Dilma vem dado declarações que indicam uma mudança de postura do Brasil em relação às violações aos direitos humanos em outros países.

No governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil se mantinha distante de críticas e sanções a países que desrespeitam os direitos humanos, como o Irã, que condenou à morte a muçulmana Sakineh Mohammadi Ashtiani por ter supostamente cometido adultério.

Ao assumir o governo, Dilma classificou de “bárbara” a pena contra Sakineh e se manifestou contra regimes ditatoriais na África do Norte.

No entanto, os interesses comerciais devem tolher manifestações contundentes de Dilma contra abusos cometidos na China, como a prisão de ativistas que se opõem ao regime comunista. De acordo com o porta-voz da Presidência, Rodrigo Baena, o governo brasileiro “prefere tratar de direitos humanos em organismos multilaterais, como as Nações Unidas”.

Para o professor de Relações Exteriores da Universidade de São Paulo Gilmar Masiero, tratar de um tema “sensível” durante uma visita de Estado à China pode prejudicar a relação comercial e diplomática entre as duas nações.

“Como é um tema bastante sensível e que possui repercussão no mundo inteiro quanto mais ele for tratado de forma discreta, melhor”, disse.

Guerra cambial


Outra questão “sensível”, mas de grande interesse brasileiro é a desvalorização da moeda chinesa, o yuan. China e Estados Unidos têm empreendido, segundo o governo brasileiro, uma “guerra cambial”.

A queda no valor das duas moedas prejudica a exportação de produtos de outros países, inclusive os brasileiros, que perdem competitividade no mercado internacional. Apesar da preocupação do governo, o tema deve ser abordado de forma discreta na viagem de Dilma a Pequim.

“É um assunto que preocupa o Brasil e os empresários. Em um encontro dessa natureza, todos os assuntos devem ser tratados. [A guerra cambial] deve constar da nossa declaração conjunta, refletindo as posições do Brasil e de nosso empresariado”, disse a embaixadora Maria Edileusa Fontinele.

A diplomata ressaltou, no entanto, que há “mecanismos específicos” de discussão sobre determinados temas, para evitar constrangimentos durante uma visita de Estado.

“O que quero deixar claro é que, na nossa relação com a China, temos mecanismos específicos para tratar de cada tema e evitar que um assunto que circunstancialmente surja atrapalhe ou prejudique a relação entre os dois países e a assinatura de outras parcerias”, afirmou.

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