domingo, 22 de julho de 2018

MÁXIMA

Direção de presídio da Capital aposta na ressocialização de internos

2 NOV 2010Por Thiago Gomes05h:10

A direção do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima de Campo Grande, unidade instalada no complexo penitenciário da região da saída para Três Lagoas, está apostando no trabalho como oportunidade de ressocialização de internos. Além de a atividade laboral ser um caminho para a futura reintegração dos presos na sociedade, é também um mecanismo de redução da condenação, onde, para cada três dias trabalhados, se reduz um da pena.

De acordo com o diretor da Máxima, João Bosco Correia, aproximadamente 20% de toda a população carcerária da unidade exerce alguma atividade de trabalho ou estudo. Segundo ele, além de atuarem em setores que contribuem com a atividade interna do estabelecimento, como padaria e coleta seletiva do lixo, os apenados também participam de oficinas que rendem trabalho remunerado e oportunidade de aprender um novo ofício.

João Bosco Correia revelou que, por intermédio de uma parceria da penitenciária com a Associação do Aprendizado, Ressocialização e Trabalho do Apenado no Estado (Artaba), sete internos da Máxima fazem a produção de bolsas que são comercializadas em larga escala por encomenda, bolsas artesanais que são comercializadas até em uma loja de um shopping no Rio Grande do Sul e também sacolas ecológicas. De acordo com os trabalhadores da oficina, em cinco dias já foi possível confeccionar 500 sacolas ecológicas e em um dia de trabalho a mão de obra prisional produz uma média de cinco a seis bolsas de couro ou material similar.

O diretor disse que "esta oficina é um projeto que já existia aqui na Máxima antes da rebelião e agora estamos retomando com o trabalho e com a parceria firmada com a Artaba". Segundo ele, o setor inicialmente atendia somente à demanda da instituição, produzindo todos os uniformes utilizados pelos agentes penitenciários e reformando cadeiras estofadas de escritório. Por todos os trabalhos desenvolvidos dentro da unidade os internos recebem redução de pena. Porém, aqueles que trabalham na oficina de bolsas, onde há a parceria com a associação, recebem pagamentos por produção.

Já a presidente da Artaba, Eronita Boeira Portela, afirmou "que eles nos oferecem é um trabalho de muita qualidade, recebemos vários elogios de quem compra os produtos produzidos aqui. É uma forma de ressocializar através do trabalho, oferecer suporte para eles aprenderem uma profissão e continuar com isso lá fora". Segundo Eronita Boeira, a associação tem projetos de ampliar o trabalho de apoio aos apenados com uma nova oficina fora da penitenciária, para atender e dar nova oportunidade para os internos que recebem a liberdade. "Infelizmente ainda há preconceito em contratar mão de obra prisional e muitos olham para este trabalho como uma forma de exploração, mas não é isso que nós fazemos, queremos promover a ressocialização destes homens para que eles tenham novas oportunidades de voltar à vida normal depois de sair daqui. E, enquanto estão aqui dentro, podem estar concentrados em um trabalho, sem tempo ocioso", diz.

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