Terça, 20 de Fevereiro de 2018

mais razão

Dilma troca emotividade de Lula pela lógica das metas

16 JAN 2011Por BRASÍLIA00h:00

Foram apenas duas semanas, mas já se percebe a diferença. Em 2003, da posse até 15 de janeiro, Luiz Inácio Lula da Silva tinha visitado três Estados, falado ao País seis ou sete vezes - entre discursos e declarações à imprensa - e anunciado dois projetos fortes, o Fome Zero e o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). De quebra, participou de um Fórum Social em Porto Alegre e deu pito público em dois ministros.

Os primeiros 15 dias de Dilma Rousseff não podiam ser mais diferentes. Se Lula era exemplo acabado da célebre frase "o estilo é o homem", do francês Buffon (George-Louis Leclerc), ela deu uma guinada na vida política brasileira e decretou: o resultado é o estilo. Ela só apareceu ao País no 13º dia, porque as enchentes no Estado do Rio a forçaram a andar na lama e até a dar uma entrevista coletiva. Mas, longe dos auditórios e microfones, já anunciou um "conselho de gestão" para vigiar de perto os projetos, os custos e os prazos.

Para o cientista político Rubens Figueiredo, do Cepac, é preciso entender o alcance real das diferenças entre os dois governantes. "Lula é mais emoção do que razão, Dilma é o oposto disso", ressalta. "Ele fala com a sociedade, ela com o Estado. Lula se forjou na assembleia, nas negociações. Ela é um quadro de gestão, de metas prioritárias, de controles e prioridades, enfim de resultados."

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