sábado, 21 de julho de 2018

CANDIDATOS ÓRFÃOS

Dilma e Serra estão abandonados em MS

25 OUT 2010Por adilson trindade00h:05

 

Os candidatos a presidente da República, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), estão praticamente órfãos no segundo turno da campanha eleitoral em Mato Grosso do Sul. Nem parece que existe disputa eleitoral para presidente no Estado. Na reta final, só houve mobilização de líderes e militantes quando da visita do candidato a vice-presidente de Dilma, deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), na última quinta-feira (21), e do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e do vice de Serra, deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ), sexta-feira (22). Mesmo assim, não foi uma grande mobilização. Cada um veio pedir votos para o seu candidato. A campanha deve ficar restrita a estes dois eventos.
Quando a corrida atrás de votos estava esquentando em outros estados, os líderes do PT, do PMDB e do PSDB ainda discutiam estratégia em Mato Grosso do Sul. Só ficaram na conversa do que fazer para os candidatos a presidente da República, porque de concreto apenas a presença de Temer e Alckmin no Estado e carros adesivados.
O PMDB demorou para declarar a manutenção de apoio, no segundo turno, à candidatura de José Serra. Mas o partido não colocou nenhum obstáculo ao prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), para continuar com Dilma.
Só que Nelsinho, principal aliado de Dilma dentro do PMDB estadual, não tem se envolvido de “corpo e alma” na campanha presidencial em Campo Grande. Apenas se sabe que apoia a petista e é um dos seus aliados no Estado.
Portanto, os petistas e pequena parcela do PMDB locais pouco têm feito para conquistar o eleitor sul-mato-grossense a favor de Dilma. O candidato a vice Michel Temer praticamente passou despercebido por Campo Grande. Ele não participou de nenhum comício, carreata ou caminhada nas ruas da Capital para chamar atenção dos eleitores. Ele falou apenas para um pequeno grupo de dirigentes partidários e militantes em local fechado.
No encontro, Temer convocou a militância a apertar o cerco na reta final para conquistar votos a Dilma e promover reviravolta no resultado das urnas. No primeiro turno, a candidata petista ganhou dianteira no decorrer da campanha e, na reta final, perdeu fôlego e foi ultrapassada por Serra. A estratégia agora é ganhar de virada do tucano no segundo turno.
 
Estratégia diferente
A estratégia dos tucanos no Estado já foi se aproximar mais dos eleitores no Estado. Geraldo Alckmin participou de carreata em Dourados e de encontro em Campo Grande com a presença de populares, não apenas de dirigentes e militantes.
Antes da visita de Temer e Alckmin no Estado, a campanha em favor dos presidenciáveis era apenas de conversas em reuniões fechadas. Depois das pesquisas apontarem a vantagem de Dilma sobre Serra no País, o senador Delcídio do Amaral (PT) reuniu cerca de 300 militantes do partido para discutir a campanha da candidata em Mato Grosso do Sul.
O ex-governador José Orcírio dos Santos, que saiu de uma derrota para o governador André Puccinelli (PMDB), procurou força para trabalhar pela Dilma no Estado. No início da campanha do segundo turno, ele foi às ruas fazer adesivagem com os deputados federais Vander Loubet (PT), Antônio Carlos Biffi (PT) e Dagoberto Nogueira (PDT). O senador Delcídio não participou do evento por estar ligado a outro grupo do partido.
Para mostrar disposição, José Orcírio, Dagoberto e o senador Valter Pereira (PMDB) estiveram com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e depois com o candidato a vice-presidente Michel Temer para discutir a campanha em Mato Grosso do Sul. O resultado foi a presença de Temer no Estado.
Mas se Dilma depender do esforço dos seus parceiros, não terá força para virar o jogo eleitoral em Mato Grosso do Sul. O que se vê nas calçadas de Campo Grande, nestes últimos dias, são placas de Vander Loubet pedindo apoio a Dilma. É muito pouco para o tamanho do PT em Mato Grosso do Sul, porque ninguém se preocupa em fazer grandes caminhadas que marcaram a campanha do primeiro turno dos candidatos a governador.
Já em relação a Serra, pequenos grupos de militantes passam o dia com bandeiras de Serra nas calçadas de Campo Grande. Não se vê, porém, as grandes lideranças do PSDB e de aliados fazendo bandeiraço no centro da cidade, como é de tradição em campanha eleitoral.
A vice-presidente nacional do PSDB, senadora Marisa Serrano, não fica no Estado. Mas, em Dourados, uma kombi circulava nas ruas com alto falante com gravação da senadora pedindo votos para Serra. Era uma forma criativa para os eleitores ouvir a sua voz durante a ausência na campanha de Serra no Estado. Ela está mais envolvida com a agenda do candidato pelo País. Portanto, Mato Grosso do Sul ficou fora de seus planos.

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