domingo, 22 de julho de 2018

DEBATE FOLHA/REDE TV

Dilma diz que Erenice errou e Serra nega contribuição ilegal

17 OUT 2010Por UOL22h:22

Pela primeira vez, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, admitiu neste domingo (17) no debate RedeTV/Folha de S.Paulo que sua ex-braço direito, Erenice Guerra, “errou” no período que passou à frente da Casa Civil, de onde saiu acusada de tráfico de influência. O presidenciável tucano José Serra, por sua vez, negou que sua campanha fosse receber doações ilegais vindas de um ex-diretor do Dersa.

A líder nas pesquisas de intenção de voto, que por muito tempo evitou condenar a ex-assessora, afirmou que não concorda com contratação de parentes e amigos no serviço público. Erenice tinha o filho, Israel, trabalhando na Casa Civil, assim como indicados dele. “As pessoas erram e a Erenice errou”, disse Dilma, em resposta a uma pergunta de jornalista, no terceiro bloco do debate.

“Quero deixar claro que eu considero a situação da Erenice com muita indignação. Não concordo com a contratação de parentes e de amigos. Eu tenho um compromisso em combater o nepotismo e o tráfico de influência”, afirmou. “Nós investigamos e a Erenice saiu do governo. A Polícia Federal está investigando o caso e 16 pessoas foram interrogadas. Isso significa que nós apuramos aquilo que acontece.”

Dados da pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (15), indicam que a presidenciável perdeu a chance de vencer no primeiro turno também por conta do escândalo envolvendo a ex-assessora. Erenice acompanhou Dilma em Brasília desde 2003, quando a petista se tornou ministra de Minas e Energia.

O candidato do PSDB, por sua vez, teve de responder sobre o ex-diretor de Engenharia da Dersa, empresa de estradas paulistas, Paulo Vieira de Souza. Conhecido como Paulo Preto, ele foi acusado de arrecadar ilegalmente cerca de R$ 4 milhões para financiar campanhas de tucanos paulistas. Para Serra, essa acusação faz parte de uma “estratégia do pega ladrão” do PT.

“Esse é o método. Disseram que alguém tinha recebido uma contribuição para essa campanha e não tinha entregue. Eu sou a vitima. Isso não aconteceu na minha campanha”, afirmou. “Alguém teria pego e não entregue para a campanha. Nunca veio ninguém reclamar que o dinheiro não chegou”, afirmou o tucano.

Serra disse que o caso de Paulo Preto é diferente dos escândalos na Casa Civil e criticou o apelido dado ao ex-assessor, que disse desconhecer no início da semana para depois admitir que sabia de quem se tratava. “Eu não o conhecia assim. Esse é um apelido racista. Como ele é descendente de africanos, deram esse apelido”, disse.

Em sua resposta sobre Erenice, Dilma aproveitou para criticar o adversário. “Isso é propina na obra mais importante do governo de São Paulo, o Rodoanel. Essa denúncia é de maio, não é de ontem.”, disse ela. “Nós investigamos.”

Segurança

No quarto bloco, Dilma acusou o governo tucano em São Paulo de abandonar a segurança e permitir que o PCC (Primeiro Comando da Capital) dominasse de dentro dos presídios o tráfico de drogas. “Tenho um compromisso: é livrar São Paulo do PCC”, disse. E completou afirmando que o PSDB é responsável pelo “domínio do trafico pelo PCC das cadeias”.

Serra disse que a petista estava utilizando a tática do partido de só falar mal de São Paulo. Sem citar o candidato derrotado do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, o tucano disse que este estilo de “apenas criticar” fez com que o partido perdesse a eleição para o candidato eleito Geraldo Alckmin. Mais tarde, Serra disse que tinha “a impressão que a Dilma é candidata ao governo de São Paulo”.

A líder nas pesquisas criticou as privatizações feitas no governo Fernando Henrique Cardoso e disse que Serra quis dificultar a venda da Gás Brasiliana, empresa paulista, à Petrobras. O tucano fez, então, o ataque mais duro do início do debate “[A campanha do PT] mente o tempo todo e uma das principais questões é a da privatização", disse.

“Esse não é o assunto que depende do governo de São Paulo. O governo Lula e a Dilma fizeram mais concessões a empresas privadas do que o Fernando Henrique. É por causa de eleição [que criticam privatizações]”, afirmou o presidenciável, que questionou a rival sobre um tema mais ameno: cursos profissionalizantes.

Na resposta, Dilma afirmou que Lula não fez mais escolas técnicas porque na gestão de FHC “foi feita uma lei proibindo que se criassem escolas técnicas no Brasil a não ser que os Estados e os municípios assumissem a manutenção”. “Nós mudamos essa legislação e passamos a investir”, disse.

As polêmicas religiosas que permearam a primeira semana de campanha no segundo turno não apareceram no primeiro bloco do debate. A única referência nesse sentido foi feita por Dilma, ao dizer que espera ser “eleita, graças a Deus”.
 

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