Terça, 20 de Fevereiro de 2018

recado

Dilma destaca temas que geram desconforto

7 NOV 2010Por Leandro Modé (AE)03h:55

Os indicadores econômicos brasileiros mudaram drasticamente em oito anos, mas a preocupação do governo eleito em agradar ao mercado financeiro, não. Em seus primeiros pronunciamentos, a presidente eleita Dilma Rousseff destacou temas que têm causado desconforto entre os investidores, principalmente a piora das contas públicas em 2009 e 2010.
Dilma afirmou que o novo governo terá como meta reduzir a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) dos atuais 40,9% para 30% em 2014. O recado foi bem recebido pelos investidores, mas não “comprado”, parodiando um jargão do próprio mercado. Em outras palavras, o investidor quer fatos, não promessas.
“No início de 2009 e 2010, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, garantiu que a meta de superávit primário seria cumprida”, disse analista da Tendências Consultoria Integrada André Sacconato. “Mas, sem considerar as ‘maquiagens’, a meta não foi atingida em 2009 (ficou em 2,05% do PIB, ante o objetivo de 3,3%) nem será neste ano (a projeção dele é de 2,6% do PIB).”
Superávit primário é a diferença entre receitas e despesas, excluindo gastos com juros da dívida pública. Muitos o definem como a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida.
Entre 2003 e 2008, o mercado viveu em lua de mel com o governo Lula na área fiscal. A meta de superávit primário foi cumprida praticamente em todos os anos (excetuando-se 2006, que ficou na ‘margem de erro’, com 3,24% do PIB). Com o estouro da crise global, em setembro de 2008, o governo decidiu despejar dinheiro público na economia para tirá-la do buraco – no quarto trimestre de 2008 e no primeiro de 2009, o PIB teve contração de, respectivamente, 3,6% e 0,8%.
Por isso, as contas pioraram e o governo recorreu a artifícios contábeis para não mostrar a efetiva deterioração. Em setembro, por exemplo, o superávit primário foi “recorde” – R$ 27,8 bilhões –, graças a uma manobra com a capitalização da Petrobras. Sem isso, teria havido um déficit superior a R$ 5 bilhões.

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