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COOPERAÇÃO

Dilma chega à China e firma acordos

11 ABR 2011Por g107h:33

A presidente Dilma Rousseff desembarcou na China no final da noite deste domingo (10) em uma viagem que traçará o rumo da relação do Brasil com o país asiático nos próximos anos. No país, Dilma assina cerca de 20 acordos comerciais nas áreas de tecnologia, agricultura, esporte, educação e comércio.

Terceira agenda internacional da presidente, a passagem de Dilma pelas cidades de Pequim, Sanya, Boao e Xian demonstram o interesse brasileiro em aumentar as relações comerciais e política com os chineses. No centro das negociações entre os dois países, está a exigência pelo Brasil de “reciprocidade”.

Entre os acordos que serão assinados com a China está um que prevê a venda de aeronaves da empresa brasileira Embraer para companhias aéreas chinesas. Os aviões farão voos regionais no país asiático.

Outros acordos que serão assinados estabelecem a instalação de um centro de pesquisa conjunta em nanotecnologia. Há também parcerias em pesquisa e inovação em agricultura, defesa, biocombustíveis, eletricidade e prospecção de petróleo.

A China pode contribuir compartilhando conhecimento nas áreas espacial e de nanotecnologia, enquanto Brasil está apto a dividir técnicas de localização e prospecção de petróleo e gás, por exemplo.

“Há terreno para avançarmos na área espacial e outras. A China é um país avançado. É o caso de intercambiarmos técnicas, métodos, visitas de especialistas”, disse a embaixadora Maria Edileuza Fontinele, subsecretária de Política do Itamaraty,

Serão oficializadas também parcerias entre a Petrobras e as empresas chinesas Sinochem e Sinopec para o desenvolvimento de tecnologias de prospecção e troca de experiências em pesquisas geológicas.

Outro acordo prevê parcerias no desenvolvimento de energia através de biocombustíveis. Uma das possibilidades estudadas na China é produzir biocombustível a partir de algas.

Comércio bilateral

Apesar da disposição do governo brasileiro de negociar a ampliação das mercadorias exportadas para a China, será tarefa difícil vender produtos de alta tecnologia a um país que já produz, em grande escala e a preços competitivos, equipamentos modernos.

O pesquisador da área internacional do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicas (IPEA) Eduardo Costa Pinto explica que o Brasil deve negociar com a China a participação na cadeia produtiva de bens de alta tecnologia, como a produção de componentes de carros e máquinas.

“Batalhar por exportar tecnologia à China é tarefa inglória, mas podemos criar instrumentos de negociação para participar da cadeia produtiva de produtos de alta tecnologia, por exemplo, a produção de elementos de um carro”, afirmou.

Uma das possibilidades de agregar valor aos produtos brasileiros é investir em parcerias para o desenvolvimento de tecnologia, como o Brasil deve fazer com os acordos que serão assinados.

Para o professor de Relações Internacionais Universidade de São Paulo (USP) Gilmar Masiero, a prioridade da visita de Dilma à China deve ser a cooperação tecnológica.“Eu colocaria como item primordial as potencialidades de cooperação tecnológica. A tecnologia está muito cara para ser desenvolvida de forma independente”, disse em entrevista por telefone.

'Reciprocidade'
O país quer igualdade de condições tanto no acesso de mercadorias quanto na participação de empresas brasileiras em território chinês. De acordo com a embaixadora Maria Edileuza Fontenele, o Brasil quer ampliar a exportação de produtos tecnológicos, com maior valor agregado.

“A mensagem é: queremos exportar produtos de maior valor agregado, queremos vender aeronave, mas cabe também aos empresários brasileiros captar os compradores chineses”, afirmou a embaixadora.

Atualmente, os principais produtos exportados pelo Brasil à China são minério, soja e petróleo. Enquanto isso, a maioria dos mercadorias chineses exportadas ao Brasil é de alta tecnologia.

Um maior espaço de atuação das empresas brasileiras também deve ser obtido através de acordos bilaterais, segundo o Itamaraty. O pesquisador Eduardo Costa Pinto, do Ipea, explicou que as empresas estrangeiras encontram dificuldades para produzir em território chinês porque a elas são impostas barreiras pelo governo do país asiático.

“Existem muitas dificuldades na entrada de empresas brasileiras na China, mas há uma abertura para negociação. Temos que pensar em acordos bilaterais, porque a China não vai derrubar totalmente sua estrutura de regulamentação da produção de bens. Temos uma carta na manga para a negociação, que é a exportação de alimentos e energia. A China em crescimento acelerado precisa muito desses bens”, explicou.

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