terça, 17 de julho de 2018

Mudança

Deu a louca no Zodíaco

15 JAN 2011Por Thiago Andrade00h:00

Há quem acredite e há quem duvide, mas o fato é que os signos do Zodíaco são muito presentes na vida de todos – presentes demais, diriam alguns. Seja no hábito diário de ler o horóscopo em jornais ou em consultas com astrólogos para conferir como os astros têm influenciado a vida cotidiana, procurar se orientar por meio da influência celeste é comum. Mas o astrônomo americano Parke Kunkle resolveu bagunçar a lógica zodiacal e afirmou que mudanças no alinhamento da Terra alteraram as datas correspondentes aos signos. Ele também sugeriu a inclusão de um novo: o Ophiuchus ou Serpentário.

Segundo o astrônomo da University of Minnesota afirmou em entrevista à rede NBC, o erro pode estar sendo cometido há anos. Portanto, ao acordar e abrir um jornal para saber o que o dia reserva, você pode ter informações não tão precisas. Como os estudos astrológicos ocidentais são realizados há cerca de cinco mil anos e os movimentos terrestres no universo alteraram o alinhamento do planeta em relação ao Sol, nada mais justo que alterações nas datas de cada signo. Mas Kunkle também lembrou que o signo Serpentário também deveria ser incluído, já que os movimentos celestes a trouxeram para perto de constelações como Escorpião e Sagitário, signos entre os quais Ophiuchus foi incluída.

“Não acredito que eu possa ser de Gêmeos, sou exatamente como descrevem uma canceriana”, contesta a contadora Mabel Denis, que mora em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, mas veio visitar alguns parentes em Campo Grande. Ela nasceu em 5 de julho e, de acordo com o Zodíaco de Kunkle, Mabel teria nascido sob a influência da casa anterior. Geminianos, dizem, são seres urbanos, que gostam de festas cheias de pessoas e não são nada discretos. Bem diferentes dos nascidos sob o signo de Câncer, introvertidos e emotivos, ligados ao lar e à família.

O recém-nascido Marcelo Antônio, filho de Mabel, também mudou de signo. Agora ele é regido pela casa de Touro. A mãe se mostrou espantada ao saber das modificações, até mesmo, ressentida. “A gente passa a vida inteira acostumada a saber que o signo é de um jeito e de uma hora para outra, mudam tudo”, critica, não muito satisfeita com a mudança como todo bom canceriano. Sobre o filho, ela acredita que uma mudança tão cedo não o afetará muito. “Agora eu quero saber é se as pessoas vão aceitar”, questiona.

Astrólogos não querem saber de mudança
Embora o astrônomo Parke Kunkle tenha tentado modificar as datas zodiacais, os astrólogos não gostaram muito desta tentativa da ciência se meter em seus assuntos. Para Thereza Christina Silva, astróloga, taróloga e professora tutora na área de Marketing, em Campo Grande, o campo com o qual a astrologia trabalha é simbólico e pouco tem a ver com as constelações. Baseado em estudos realizados por babilônios e gregos, o Zodíaco ocidental que se conhece é uma espécie de mandala imaginária ao redor do Sol, dividida em 12 casas.
A explicação de Thereza, conhecida pelos mais próximos como Teca, para a forma como funciona a astrologia ocidental é simples. O principal instrumento desta é o horóscopo.

Segundo a astróloga, no entanto, a ideia de Zodíaco é mais complexa do que aparenta, pois toda organização do universo no momento em que a pessoa nasceu contribui para o desenho de sua personalidade. “Cada signo está ligado à energia de um planeta, mais que uma constelação. Mas é preciso lembrar que o Zodíaco não define, mas inclina”, define.

Por não se alinhar as constelações de mesmo nome, Thereza critica, não faz sentido colocar Ophiuchus entre os signos. “A lógica do Zodíaco é simples. São 12 casas, cada uma regida por um astro. Os signos se dividem por elementos, que coincidem com os meses de cada estação. Câncer, por exemplo, está ligado ao início do inverno e é o primeiro signo do elemento água”, explica a astróloga.

Segundo ela, é preciso deixar claro que não se trata de uma ciência, mas de uma área do conhecimento que foge aos gráficos e experimentações.

Autoconhecimento
Obadia Rodrigues Escobal, que trabalha com vendas, é leonino. Ele afirma que consulta o horóscopo diário sempre que possível. “É um costume. Não digo que acredito que aquilo que está escrito vai acontecer, mas ajuda a nortear um pouco”, pontua. Para Thereza, no entanto, o papel do Zodíaco vai além dos horóscopos diários, criticados por muitos, inclusive teóricos renomados como o marxista alemão Theodor Adorno, co-autor do clássico “A dialética do esclarecimento”.

Thereza vê os signos como um guia para o autoconhecimento. Como os signos não definem, mas mostram as inclinações, aptidões e dificuldades de cada pessoa, conhecê-los é uma forma de saber quem se é. “O mapa astral ilustra muito bem isso. Por exemplo, nele existem três astros principais. A Lua, que fala do lado emocional, o Sol, que diz respeito à razão de ser, e o ascendente que é como a pessoa se mostra”, detalha. “Cada pessoa é um universo”.

Superstição ou não, o fato é que o Zodíaco é um importante elemento cultural, que oferece formas de se conhecer e encontrar respostas para muitos. Um ponto que Thereza reforça é que não existe signo ruim. “É um hábito muito comum dizer que pessoa que nasceu sob tal signo é difícil, mas, por vezes, isso pode ser preconceito. Todo mundo encrenca com Escorpião, que é um signo muito forte, que não se dobra, mas ele tem qualidade e dificuldades como todos os outros”, finaliza.

Agora resta saber se as alterações zodiacais serão aceitas ou não pela comunidade astrológica. De um lado, defensores acreditam que a mudança nas eras permitem uma alteração no calendário; do outro, os críticos afirmam que não há motivos para modificar algo que foi desenvolvido por sábios há milênios. Até que se chegue ao consenso, não custa checar o horóscopo dos dois signos.

Leia Também