quinta, 19 de julho de 2018

Polícia Federal

Detidos na Operação Vitruviano foram interrogados e liberados

26 NOV 2010Por NADYENKA CASTRO03h:10

Já estão soltos 17 dos 19 presos anteontem na Operação Vitruviano, da Polícia Federal (PF). Permanecem na cadeia Honofre Pereira de Matos, dono de uma garagem em Caarapó, e Paulo Francisco, proprietário de um posto de combustíveis em Dourados. Todos são investigados por lavagem de dinheiro, estelionato e formação de quadrilha e seriam laranjas do ex-major da Polícia Militar (PM) Sérgio Roberto de Carvalho, já condenado por tráfico de drogas. Conforme a PF, eles deram golpe até no espólio do milionário Olympio José Alves, morto em 2005.

Explicações
Segundo o delegado Edivaldo Bezerra de Oliveira, os 17 foram soltos ainda na terça-feira após terem justificado a movimentação financeira e a propriedade de empresas. Eles saíram sabendo que podem ser convocados para novas oitivas. "Eles podem ser intimados para novos depoimentos", afirmou o delegado. "Eles deram justificativas, mas não convenceram".

De acordo com ele, Honofre e Paulo continuam presos porque ainda não deram explicações plausíveis e serão ouvidos novamente. Os dois foram transferidos para a Superintendência da PF, em Campo Grande. Todos estão indiciados pelos crimes de lavagem de dinheiro, estelionato e formação de quadrilha.

Rogério Tomé, o investigado que sacou R$ 1 milhão em espécie, atuava como procurador de Carvalho e, atualmente, é responsável pela administração de um posto de combustíveis, o qual seria de Carvalho. De acordo com o delegado, ele e os demais laranjas do ex-oficial da PM tentam justificar o dinheiro que receberam, mas não convencem. "Eles confirmam que receberam, mas cada um dá uma justificativa. Eles não têm documentos para provar".

Vitruviano
A operação que prendeu três advogados, empresários e policiais militares é resultado de investigações que começaram em 2008, sobre as atividades ilícitas de Carvalho. No decorrer dos trabalhos, os policiais descobriram que em 2007 Carvalho comprou uma usina de cana-de-açúcar em Juscimeira, Mato Grosso, a vendeu para o milionário que já estava morto, e, com aval da juíza Margarida Elisabeth Weiler, que atuava na comarca de Anaurilândia, recebeu R$ 3,9 milhões da fortuna deixada por Olympio.

Para não chamar atenção da polícia, o dinheiro foi depositado em contas das empresas de fachada e de pessoas físicas, os laranjas.

Segundo Oliveira, a maioria dos presos anteontem na operação atuam regularmente na quadrilha de Carvalho, outros só participaram da "partilha" da execução do espólio do milionário. "Alguns estão só no dinheiro desse caso, outros participam regularmente", afirmou o delegado.

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