segunda, 16 de julho de 2018

REAL FORTE

Desvalorização do dólar é solução para crise dos EUA

31 OUT 2010Por Francisco Carlos de Assis (AE)04h:02

Os Estados Unidos só têm duas saídas para pagar sua dívida: crescer 4% ao ano por 25 anos ininterruptos ou desvalorizar sua moeda. Sob a égide da lei do menor esforço e do imponderável - taxas de crescimento dependem de variáveis exógenas -, desvalorizar o dólar torna-se mais fácil. Isso significa mais emissão de moeda pelo Federal Reserve (FED), o banco central norte-americano. Por isso, para analistas consultados pela reportagem, faz todo sentido a Pesquisa Focus, do Banco Central, prever que, para o ano que vem, em relação ao fechamento previsto para este ano, o aumento do dólar não chegue a R$ 0,10. A expectativa mediana da Focus em relação ao dólar para 2011 é de R$ 1,79, ou apenas R$ 0,09 acima da taxa de R$ 1,70 esperada para o encerramento deste ano.

Em outras palavras, o que o mercado está dizendo é que não consegue ver, pelo menos no curto prazo, a formação de uma barreira capaz de impedir que a enxurrada de dólares americanos continue a inundar a economia doméstica, dando, assim, mais força ao real. O processo de apreciação da moeda brasileira em relação à norte-americana tem levado ao surgimento de série de receitas prescritas por economistas, para estancar o fluxo de entrada da moeda estrangeira no País. Uma das que mais aparece é a necessidade de uma política de corte de gastos públicos que permitisse a queda do juro doméstico.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, investiu contra essa ideia no início desta semana. Para o ministro, seria um equívoco a realização de um aperto fiscal com o propósito de abrir espaço para a redução da taxa de juros. Para o economista-sênior do Royal Bank of Scotland (RBS), Zeina Latif, o sócio-diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, e os economistas do Banco Santander Alexandre Schwartsman (chefe do departamento econômico da instituição) e Tatiana Pinheiro realmente não é a taxa de juros alta que está no epicentro da apreciação cambial. Esse é só um dos componentes em meio à liquidez abundante promovida pelos EUA. Eles concordam que, mesmo em níveis de juro muito inferiores aos atuais, as entradas permaneceriam.

Para Daoud, sabedores de que a saída mais factível para reduzir sua dívida é a desvalorização da moeda, os EUA mantêm e manterão a forte emissão de dólares, com a qual conseguem oferecer títulos de curto prazo para trocá-los no mercado pelos papéis de longo prazo (até 30 anos) e dar maior liquidez à economia. “E não dá para comparar a política expansionista americana com a de outros países porque eles são os emissores da moeda internacional que se encontra em processo de desvalorização”, pondera o diretor da Financial Advisor. Então, diz ele, se toda a reserva e a poupança do mundo estão em dólar, quando esta moeda se desvaloriza diminui, por consequência, a dívida norte-americana.

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