sábado, 21 de julho de 2018

RESGATE

Desespero toma conta dos sobreviventes de tragédia

15 JAN 2011Por RIO00h:00

Três dias depois do temporal que arrasou parte da região serrana do Rio de Janeiro, o desespero toma conta dos sobreviventes nos oito municípios atingidos. Faltam luz, água e comida para a população. Há cidades ainda isoladas, como São José do Vale do Rio Preto e Bom Jardim.

Segundo os últimos levantamentos da Defesa Civil, foram contabilizados até ontem à noite 544 mortos na região serrana do Rio de Janeiro em consequência dos deslizamentos, sendo 247 em Friburgo, 231 em Teresópolis, 43 em Petrópolis e 19 em Sumidouro e outros quatro no município de São José do Vale do Rio Preto. As autoridades acreditam que o número de mortos pode aumentar, pois é grande o número de pessoas desaparecidas. Em algumas regiões as buscas nem sequer foram iniciadas devido às dificuldades de acesso.

Ainda segundo a Defesa Civil, o número de desalojados e desabrigados em Petrópolis chega a 3.600 e 2.800, respectivamente, em Teresópolis, são 960 e 1.280, e em Nova Friburgo, 3.220 e 1.970. As filas são intensas no IML. Sobreviventes buscam identificar parentes que estão desaparecidos. Alguns corpos estão em estado de decomposição e foram colocados em um caminhão frigorífico.

Em Petrópolis, equipes de resgate trabalham para conseguir acessar uma localidade isolada, conhecida como Ponto Final, no Vale do Cuiabá, em Itaipava. Há notícias de que lá há 22 pessoas desaparecidas. Para o trabalho, serão utilizados três retroescavadeiras e 60 caminhões.

 Autocrítica
O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), afirmou no início da tarde de ontem que haverá o momento de se fazer "autocrítica" e "avaliação" sobre a tragédia na região serrana. Mas, para ele, este não é o momento.

"A hora é de arregaçar as mangas e ajudar a essas famílias. É máquina, bombeiros trabalhando. Sempre tem a hora de fazer avaliação. Tem que se fazer uma autocrítica, por que se permitiu fazer tudo isso. Mas agora é resgatar corpos e ajudar famílias desabrigadas. Não vamos perder tempo neste momento", disse o governador, em visita ao bairro Caleme, em Teresópolis, um dos mais atingidos por deslizamentos e cheias de rios.

 Auxílio
Na manhã de ontem, 225 homens da Força Nacional de Segurança chegaram à região serrana do Rio de Janeiro. Eles vão auxiliar nas buscas por vítimas e na manutenção da ordem pública nas áreas atingidas pelos temporais no estado, principalmente em Teresópolis. Na quarta-feira, o Exército enviou 400 homens, 30 veículos, duas retroescavadeiras, duas carregadeiras, um gerador, uma torre de iluminação e seis helicópteros.

O prefeito de Teresópolis, Jorge Mário Sedlacek, anunciou ontem que a reconstrução da cidade custará mais de R$ 500 milhões.

Mais um Hospital de Campanha do Corpo de Bombeiros foi montado em Nova Friburgo ontem. Com o hospital de campanha da Marinha que já funcionava, passam a ser dois na região.

 Maior tragédia
Esta já é considerada a maior tragédia climática da história do País. O número de vítimas ultrapassou o registrado em 1967, na cidade de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. Naquela tragédia, tida até então como a maior do Brasil, 436 pessoas morreram.

No ano passado, de janeiro a abril, o estado do Rio de Janeiro teve 283 mortes, sendo 53 em Angra dos Reis e Ilha Grande, na virada do ano, 166 em Niterói, onde se localizava o Morro do Bumba, e 64 no Rio e outras cidades atingidas por temporais em abril.

Em SP, durante o primeiro trimestre de 2010, quando a chuva destruiu São Luiz do Paraitinga e prejudicou outras 107 cidades, houve 78 mortes. Os números da região serrana do RJ superam ainda os de 2008 em Santa Catarina.

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