Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

Desenvolvidos patinam e Brasil deve ter 7º PIB mundial em 2011

1 JAN 2011Por Terra14h:37

Mesmo com projeções menores que o avanço esperado para 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá superar o italiano em 2011 e alcançar a sétima posição mundial, segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Do mesmo modo, já neste ano a economia chinesa deve superar a japonesa e se tornar a segunda maior, enquanto a indiana passará a ser maior do que a espanhola - atual 10ª colocada. As mudanças de posição fecham uma década marcada pela ascensão e consolidação dos países emergentes enquanto as potências tradicionais patinam para sair da crise econômica iniciada em 2008, nos Estados Unidos.

Principal motor econômico no período, a China levou apenas dez anos para sair da sexta colocação para a segunda. A Índia e o Brasil conquistaram uma posição e a Rússia subiu cinco, alcançando o posto de nona maior economia do mundo - um movimento que deverá continuar na década que se inicia, segundo o professor de macroeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV-EESP), Rogério Mori.

Para ele, a Europa passa por uma grave crise fiscal e está cortando gastos públicos ainda sem ter feito a economia deslanchar. "Eu não apostaria na região como vetor do crescimento", disse.

Por sua vez, os Estados Unidos precisarão alterar a maneira de incentivar o crescimento da economia, que até então era baseada no endividamento da população - um dos motivos das crise imobiliária que estourou em 2008. "O modelo de crescimento faliu. Não vamos retomar os patamares anteriores em, pelo menos, cinco ou dez anos", afirma Mori. Os EUA devem crescer 2,6% em 2010, 2,3% em 2011, 3% em 2012, segundo o FMI. Enquanto isso, na primeira década do século 21, o Brasil passou de um crescimento médio de 2% ao ano, entre 1980 e 2003, para um patamar de 4,4% ao ano, em média.

De acordo com o professor da FGV, o Brasil se destaca na atual conjuntura, mas ainda é um emergente contido pela falta de estrutura. "O Brasil é um País relativamente despreparado para crescer. Falta infraestrutura e educação. Ainda não temos capacidade para crescer 5% ou 6% anualmente", diz. Em 2011, a expectativa de crescimento para Rússia, Índia e China - que formam o Bric junto ao Brasil - é de 4,3%, 8% e 9,5%, respectivamente.

Já para o Brasil, a previsão é de avanço de 4,1%, uma elevação tímida mesmo se comparada vizinhos latinos como Chile (6%), Perú (5,9%) e Uruguai (5%). E o cenário pode ficar ainda mais complicado.

Na avaliação de Mori, a alta do preço das commodities, que sustentou a expansão dos negócios no País, deve se manter no médio prazo.No entanto, segundo o economista e professor da PUC do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Ademir Antonio Marquetti, o real valorizado, a perda de participação da indústria na economia e os seguidos déficits na balança de pagamentos podem colocar o País em uma situação delicada no futuro. "A questão cambial é um problema grande que nós temos de enfrentar", afirmou.

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