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Desafios no consórcio do milho safrinha com a braquiária

29 MAR 10 - 10h:23*GESSI CECCON
A soja e o milho são as duas principais culturas produtoras de grãos no Brasil. A soja predomina nos cultivos de verão e o milho safrinha durante o outono- inverno, principalmente na região Centro-Oeste e parte das regiões Sul e Sudeste. O plantio direto é o sistema predominante de cultivo, porém esta sucessão de culturas apresenta baixos índices de cobertura do solo com palha, favorecendo a degradação do solo e redução na produtividade das culturas. O cultivo consorciado de milho safrinha com braquiária pode proporcionar quantidade e qualidade ideais de palha para cobertura do solo, proporcionando benefícios às culturas cultivadas em sucessão, em especial a soja. A semeadura simultânea com linhas alternadas de milho e braquiária, desenvolvida pela Embrapa Agropecuária Oeste, é uma tecnologia reconhecida pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – Mapa, através do Zoneamento de Riscos Climáticos para os Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná. Contudo, para obter os benefícios do cultivo consorciado, é importante seguir critérios técnicos indicados pela pesquisa, a fim de evitar a interferência de uma no crescimento da outra durante o cultivo e maximizar seus benefícios à cultura em sucessão, sendo fundamental a superação de dois principais desafios. O primeiro desafio do consórcio é produzir grãos de milho na presença da braquiária e possibilitar o maior crescimento dela após a colheita do milho. Neste sentido, é necessário ajustar a população de braquiária à população do milho; porém se isso não for conseguido, a utilização de herbicidas específicos pode ser uma opção importante, a fim de evitar o crescimento excessivo da forrageira durante o desenvolvimento do milho safrinha. O segundo desafio é mais complexo, pois envolve condições climáticas da região e operacionais na propriedade agrícola, de modo que para a dessecação da braquiária deve-se levar em conta a época de semeadura da soja, a quantidade de palha produzida pelo consórcio e o período de tempo entre a dessecação e a semeadura da soja. Em Mato Grosso do Sul, as condições climáticas de outubro são preferidas em relação às de setembro, tendo em vista as melhores condições de temperatura e umidade relativa do ar, e principalmente pela melhor atividade fisiológica e crescimento da braquiária. Salienta-se que em trabalho desenvolvido em Dourados, os maiores rendimentos de grãos de soja foram obtidos nas semeaduras realizadas em novembro, aos 11 dias após a dessecação da Brachiaria ruziziensis. Assim, ajustar o melhor tempo entre a dessecação da braquiária e a semeadura da soja é outro importante desafio a ser superado, a fim de proporcionar a maximização dos benefícios do consórcio.
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