terça, 17 de julho de 2018

Deputados estaduais ganham no voto, mas perdem a eleição

25 OUT 2010Por adilson trindade04h:00



A regra do quociente eleitoral aplicada na eleição proporcional tirou a reeleição de três deputados estaduais. Eles foram mais votados que seis candidatos eleitos. A conta é complicada e difícil para o eleitor entender porque o seu candidato foi mais votado e acabou perdendo a vaga para o menos votado. A regra do quociente eleitoral é dividir o número de votos válidos por 24, que foram as vagas disputadas para Assembleia Legislativa.

Como foram registrados 1.298.417 votos válidos, a coligação ou partido precisaria de 54.101 mil votos para garantir a eleição de um parlamentar. O único candidato que atingiu a cota nas urnas foi o deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB), reeleito com 56.287 votos. Os demais precisaram da legenda ou da coligação para garantir mandato.

A soma de votos dos partidos nanicos, por exemplo, atingiu um pouco mais do índice e assegurou duas vagas para o PT do B — Márcio Fernandes e Mara Caseiro —, para o PSL de George Takimoto, PPS de Diogo Tita e PSB de Lauro Davi. Isto significa que a votação de todos os candidatos da coligação do PT do B ultrapassou a 108 mil votos para conquistar duas vagas no Legislativo. O total dos votos para a coligação integrada pelo PT do B com PRB/PPS/PRTB/PHS foi de 147.174 votos.

Vítimas
Uma das vítimas da regra foi o veterano deputado Ary Rigo (PSDB), primeiro-secretário da Assembleia Legislativa — que sofreu processo de desgaste com declarações em vídeo gravado pelo jornalista Eleandro Passaia sobre a distribuição de dinheiro a autoridades. Ele perdeu a disputa para três candidatos menos votados. Na sua coligação, Rigo ficou na terceira suplência.

A sua coligação, composta pelo PSDB/PMDB/PR/DEM, deixou as urnas com 621.475 votos. Esta votação assegurou 13 cadeiras para os seus candidatos e deixou Rigo de fora. Se a coligação dele conseguisse aumentar em pouco mais de 4 mil votos, o deputado estaria com a reeleição garantida.

O deputado obteve 20.581 votos, ficando à frente de Lauro Davi, que conquistou a vaga com 18.244 votos, de Mara Caseiro, eleita com 19.888 votos, e de Diogo Tita, que, desta vez, volta ao Legislativo como titular da cadeira com 20.277 votos. Mesmo assim, Rigo estará de fora da próxima legislatura onde reinou por muitos anos como um dos integrantes da cúpula e se destacou com liderança influente na política estadual.

Outra vítima do quociente eleitoral foi o deputado Professor Rinaldo (PSDB). Ele foi mais votado que seis candidatos eleitos — Lauro Davi, Mara Caseiro, Diogo Tita e os petistas Cabo Almi, Pedro Kemp e Laerte Tetila. Mas não levou. Rinaldo recebeu 22.864 votos e, se a sua coligação tivesse cerca de 2 mil votos a mais, o deputado estaria com a reeleição assegurada.
O líder do Governo, Youssif Domingos (PMDB), enfrenta o mesmo drama de Rigo e Rinaldo por causa da regra do quociente eleitoral. Ele teve mais votos que quatro candidatos — Lauro Davi, Mara Caseiro, Diogo Tita e Cabo Almi — e ficará na segunda suplência de deputado estadual.

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