Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

RACHA INTERNO

Deputado é acusado de usar notas frias e desviar verbas do PP

16 JAN 2011Por Maria Matheus00h:00

Integrantes da Executiva estadual do PP acusam o presidente da sigla, deputado federal Antônio Cruz, de desviar verbas do Fundo Partidário e usar notas frias para justificar gastos. O deputado nega que tenha cometido improbidade administrativa e acusa os correligionários de traidores.

Na semana passada, a executiva do Partido Progressista anunciou a destituição de Antônio Cruz da presidência, ato anulado por decisão em caráter liminar do juiz Maurício Petrauski, da 9ª Vara Cível de Campo Grande.

A ata da reunião em que a executiva aprovou a destituição de Cruz, realizada em 5 de janeiro, relata que o deputado teria cometido "atos de improbidade administrativa e desmandos". Também o acusa de ter feito "saques indevidos de valores do fundo partidário, com notas fiscais frias, sem a devida prestação de serviços e/ou sem a entrega dos produtos referentes às notas". Ainda segundo o documento, o comportamento de Antônio Cruz prejudicou o crescimento do PP no Estado.

A ata foi assinada por oito dos dez integrantes da executiva: Antonio Dionizio da Silva, Arthur Jorge Ferreira do Amaral, Francisco de Sá, Geraldo Mangela Rodrigues, Joaquim Arnaldo da Silva Neto, Lídio Nogueira Lopes, Luiz Pedro Gomes Guimarães e Raimundo Nonato de Carvalho.

Para o vereador Alcides Bernal (PP), o partido precisa trocar o comando regional devido à gravidade da situação. "Isso comprova a necessidade de promover realmente uma mudança", opinou. "Já que existe inclusive ata e já se deu publicidade a esse fato lamentável, agora tem que apurar quem é o culpado. Não podemos permitir que o partido sofra qualquer mácula".

Outro lado
O deputado Antônio Cruz afirmou que as acusações foram inventadas pelos oito integrantes da executiva que assinaram a ata. "Eles tinham que inventar alguma coisa para fundamentar a ação ilícita que praticaram", disse ao Correio do Estado. "É tudo mentira".

Questionado se permitiria uma auditoria nas contas do partido para provar sua inocência, ele respondeu que só aceitaria a medida a pedido da Executiva Nacional.

Segundo Cruz, os correligionários que agora o acusam sempre estiveram ao seu lado e deixaram de apoiá-lo porque ele perdeu o mandato. "Eu não consegui me eleger, mas isso não quer dizer que fui extinto do meio social, profissional e quiçá político da minha cidade e do meu Estado", disse. "Agora, porque eu perdi o mandato, fazem essa traição".

Sem citar nomes, Cruz afirmou que o partido foi prejudicado nas eleições do ano passado pelo comportamento "desleal" de filiados e integrantes da direção. "O poder financeiro falou muito nestas eleições. Eu vi uma demanda desenfreada pelo dinheiro. Sofremos muita traição, infidelidade".

No início de fevereiro, a direção nacional do PP deve analisar as denúncias. Segundo Cruz, se a executiva nacional confirmar seu nome no comando do partido, ele tomará providências contra os supostos infiéis.

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