segunda, 23 de julho de 2018

Saúde

Depressão pós-parto é real

16 OUT 2010Por Thiago Andrade00h:00

 

Não é apenas o corpo que sofre com as transformações causadas pela gravidez, mas a mente também. Durante os nove meses em que o feto se desenvolve, a mulher precisa lidar com alterações que vão do aumento de peso e a perda do centro de equilíbrio às mudanças na pigmentação da pele, no metabolismo, na circulação, entre inúmeras outras. Todas essas alterações atingem a vida psíquica, principalmente, levando-se em conta a atuação dos hormônios, que passam por alteração na gravidez.

Quando acontece o parto, todas as adaptações pelas quais o corpo passou durante os meses de gestação têm um fim abrupto. Sem dúvidas, a mulher passa por um período em que tudo a sua volta perde a estabilidade. É nesse momento que surgem os riscos de quadros especificados como depressão pós-parto. "Estes são os fatores desencadeadores da doença, entretanto, não são a causa. Quando investigamos, percebemos que a paciente já estava em depressão e isso foi agravado pelo parto ou há traços de hereditariedade, que se acionam com a situação", aponta o médico psiquiatra Juberty Antônio de Souza.

Os sintomas da depressão pós-parto são os mesmos de qualquer quadro depressivo. Humor deprimido, diminuição do ânimo, aumento de sentimentos de inutilidade, apatia, alterações de sono e apetite, dificuldades de concentração, ansiedade, tristeza persistense, são, entre outros, os sintomas da doença. Segundo o psiquiatra, se a paciente apresenta alguns desses sintomas de modo persistente é necessário atenção, pois a evolução da depressão pode levar a problemas graves, principalmente, a vontades de suicídio e abandono do recém-nascido.

Caso é sério

"Há certo preconceito em relação à depressão e muita gente acredita que a tristeza seja passageira. Mas, na verdade, a doença requer cuidados", aponta. Segundo ele, cerca de 15% a 20% dos pacientes com depressão grave conseguem se suicidar, portanto, é uma psicopatologia séria, que requer cuidados de todos aqueles que fazem parte do seu círculo de convivência. "Com a evolução da doença, a sensação de desespero diante do sofrimento é tão grande, que faz com que a morte pareça a única solução possível diante de toda a dor".

A depressão pós-parto se desenvolve em média entre os seis primeiros meses após a gestação. Após a constatação médica, o tratamento pode ser medicamentoso e psicoterapêutico. De acordo com Juberty, a união dos dois é o modo mais eficaz de lidar com a doença. Entretanto, o acompanhamento psiquiátrico é necessário, pois existem casos em que a depressão retorna. "Quando a depressão aparece após o parto, existe o risco de que seja um quadro que acompanhará a paciente por sua vida. É importante tratar os sintomas e evitar que a doença se agrave ainda mais", alerta.

Segundo Juberty, muitos casos de depressão pós-parto leves não são diagnosticados, pois as pacientes conseguem manter as atividades normais, ainda que seja necessário um esforço maior para completá-las. "Pode-se perceber um salto quando a apatia aumenta e a mulher perde o interesse em atividades simples como a amamentação. No entanto, se a paciente pensa e fala constantemente sobre morte e suicídio, há sinal claro de que se trata de um grau avançado de depressão", esclarece.

Um agravante da doença é o fato de que, muitas vezes, a paciente não se dá conta de que está em depressão. "Considera-se que a tristeza e o sofrimento fazem parte desse momento, que as mães precisam aprender a lidar com ele. Entretanto, o humor deprimido pode indicar patologia", explica o psiquiatra. Portanto, existe o risco da paciente receber alta do hospital sem nenhuma orientação médica, fato que se agrava posteriormente com a família não sabendo lidar com a situação.

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