domingo, 22 de julho de 2018

OPERAÇÃO OWARI

Denúncia de chefiar quadrilha não abala negócios de Uemura

12 NOV 2010Por Maria Matheus04h:00

O empresário Sizuo Uemura negou ser o chefe da organização criminosa que defraudou os cofres públicos de Dourados e disse que a Operação Owari, deflagrada pela Polícia Federal no ano passado, não abalou seus negócios.

"A Justiça dirá se sou inocente", sintetizou o empresário, ao deixar o Tribunal de Justiça ontem pela manhã, depois de prestar depoimento. Ele é acusado por formação de quadrilha, fraudes a licitações e contratos públicos, agiotagem, corrupção, entre outros crimes.

Sizuo atua nos setores de funerária (até o mês passado, detinha o monopólio em Dourados), concessionária de veículos, factoring, propriedades rurais, limpeza pública, medicamentos e imobiliário, entre outros. Além disso, é dono do Hospital Santa Rosa, cujo contrato com a prefeitura é alvo de investigação da Policía Federal na Operação Owari. Segundo o empresário, o escândalo não prejudicou os negócios. "Está tudo em ordem", garantiu.

Ao tentar sair do Tribunal de Justiça, Sizuo não encontrou seu carro. Cercado por jornalistas, circulou no estacionamento da instituição, respondeu brevemente a algumas perguntas e retornou ao prédio.

Indagado se é autor das ameaças contra Ari Artuzi (sem partido), ele disse que não existe plano de atentado contra o prefeito afastado. "Foi tudo inventado", resumiu. O secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, disse recentemente que Artuzi foi transferido da 3ª Delegacia de Polícia para o Garras e, depois, do Garras para o Presídio Federal porque havia "notícias de atentado" contra ele.

O depoimento de Sizuo, assim como dos demais réus ouvidos ontem, foi sigiloso. Os jornalistas não tiveram acesso ao Tribunal de Justiça. O procurador de Justiça, João Albino Cardoso Filho, contou que Sizuo negou, no depoimento ao desembargador Claudionor Abss Duarte, qualquer participação em esquema de corrupção.

Segundo a Polícia Federal, a suposta quadrilha chefiada por Sizuo desviou mais de R$ 20 milhões dos cofres públicos nos últimos 20 anos e atuava em outras cidades além de Dourados, inclusive, no Paraná.

O envolvimento de Artuzi com a família Uemura teria começado nas eleições de 2008. Sizuo e Eduardo Uemura financiaram a campanha de Artuzi, segundo a Polícia Federal. Na prestação de contas de campanha, consta a doação de combustível.

A família Uemura oferecia propina a agentes públicos em troca das facilidades nas negociatas. Segundo o Ministério Público, políticos e servidores recebiam "presentes" como malas de rodinha, perfumes, bolsas, viagens e até carro de luxo, além do financiamento de campanhas eleitorais.

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