Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

CORONEL SAPUCAIA

Delegada se divide entre investigações e serviço de escrivão

21 JAN 2011Por vivianne nunes 10h:10

Com uma população de aproximadamente 12,8 mil habitantes, o município de Coronel Sapucaia na fronteira seca com a cidade paraguaia de Capitán Bado, dispõe de apenas uma delegada que tem feito o trabalho dela e do escrivão Nicodemos Rodovalho de Alencar, desde que ele foi preso acusado de envolvimento com menores no munícipio. “Não dá tempo nem de comer”, reclama a delegada que assumiu o cargo há dez meses. 

Marina Lemos diz que após a saída do escrivão ainda no recesso de trabalho do fim de ano pôde observar o que havia de errado. Segundo palavras da própria delegada o que havia era uma “bagunça”. “Os prazos não foram perdidos porque eu mesma os controlo mas eu já tinha baixado portarias e ele não tinha autuado, documentos para enviar, materiais apreendidos … tudo em atraso”, afirmou. Um profissional substituto deve ser encaminhado ao município apenas no mês de março quando os aprovados no último concurso começam a ser chamados. Até lá, a delegada terá de se contentar com a participação de um profissional cedido da delegacia de Amambai três vezes por semana. “Ele está vindo para me ajudar e começou hoje”, explica. 

O juiz da comarca de Amambai, Cesar de Souza Lima, disse em entrevista ao Portal Correio do Estado na manhã de hoje que iria apresentar à Corregedoria da Polícia Civil um relatório pedindo investigações se houve má fé ou negligência no caso que envolve um adolescente apreendido na cidade e que não teve os autos encaminhados ao Fórum. Marina não fala em má fé e aposta na negligência do funcionário. “Ele nunca fez nada direito, queria apenas cumprir horário, não era um profissional exemplar”, afirma a delegada que reclama a falta de um substituto que espera a 14 dias. “Eu mesma colhia e registrava os depoimentos e agora estou aqui, organizando a bagunça dele”, afirmou. 

A cidade é um dos principais corredores por onde entram e saem drogas no País e também onde há grande fluxo de carros roubados. No posto da Polícia Militar, apenas três policiais ficam de prontidão durante o dia. “Um fica no pelotão para o 190 e os outros dois na viatura”, explica o comandante local, tenente Tony de Oliveira. Questionado sobre a falta de policiais ele argumenta: “Isso é muito relativo. Temos um efetivo pequeno e trabalhamos dentro da nossa possibilidade”, afirmou. Ele destaca ainda o trabalho dos policiais do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) com barreiras pelas estradas como de fundamental importância para o combate ao tráfico de drogas e também para auxiliar na recuperação de veículos roubados que possam estar entrando no Paraguai. De acordo com ele a polícia tem recuperado uma média de dois carros roubados por semana na cidade. 

“É comum o encontro de cadáveres, furtos em estabelecimentos e assaltos”, afirmou o comandante lembrando ainda que a maioria dos crimes é cometida por paraguaios. “Muito mais que a metade dos transgressores são paraguaios” ressaltou.

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