Sexta, 15 de Dezembro de 2017

Delcídio pode ter palanque separado de José Orcírio

28 MAR 2010Por 00h:43
O pré-candidato a governador, José Orcírio dos Santos, e o senador Delcídio do Amaral, ambos do PT, poderão fazer campanha eleitoral em palanques separados. Para evitar prejuízos eleitorais, José Orcírio terá de trabalhar muito para manter a unidade partidária nas próximas eleições. Se fracassar nas negociações, correrá o risco de perder esta união, criando dificuldades em toda a sua campanha, facilitando a caminhada de seu maior (e provavelmente único) adversário, o atual governador André Puccinelli (PMDB), bem como de seus principais aliados, o DEM, o PPS e o PSDB. A situação interna do PT é, no mínimo, grave: José Orcírio e o senador Delcídio do Amaral Gomez falam-se apenas nas reuniões partidárias e mantêm agendas políticas diferentes, criando um clima de instabilidade, que poderá causar sérios danos políticoeleitorais. O PMDB e seus aliados festejam esta inegável incompatibilidade entre as duas fortes lideranças petistas. O ex-governador bem que se esforça para trazer Delcídio do Amaral para a sua campanha, mas a verdade é que o Partido dos Trabalhadores, em Mato Grosso do Sul, tem duas alas clara e publicamente distintas: uma, a mais antiga, liderada por José Orcírio, e a outra, mais nova, sob a liderança do senador. Vale lembrar que foi com muito esforço e negociações que, em novembro passado, os dois acabaram reunindo consenso em torno da eleição do novo diretório regional do partido. Concluída a escolha, a divisão aparentemente superada, voltou a agravar-se de maneira quase insuperável. O senador tem dito a seus aliados petistas que pretende fazer campanha em palanque diferente do de José Orcírio. Como, aliás, fez em 2002, quando se elegeu. Na campanha para governador, contra André Puccinelli, Delcídio assegura ter tido grandes dificuldades para obter apoio apenas parcial de José Orcírio. “Amor, com amor se paga”, dizem os aliados ao senador. E acrescentam: “o que poderá haver de comum, na campanha que se aproxima, é a união em torno da candidata do PT, a atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República”. A divisão mostra-se, também, muito acentuada a partir do fato de que nem mesmo o horário político eleitoral deverá ser feito conjuntamente. Delcídio do Amaral pretende contratar um publicitário de expressão (em 2002, quem cuidou de sua campanha foi o marqueteiro João Santana, o mesmo que se encarregará do programa eleitoral de Dilma Rousseff) para fazer o seu programa político no rádio e na televisão. O candidato José Orcírio, por outro lado, quer uma solução caseira, que deverá sair de dentro dos quadros do PT regional. Entretanto, apesar de todas as dificuldades de relacionamento, grupos petistas dos dois lados esforçam-se para, no mínimo, manter uma “aliança de tolerância” que evite, ao máximo, passar ao eleitorado as divergências graves e comprometedoras existentes entre os dois candidatos. O presidente regional do PT, Marcus Garcia, vem se esforçando para não deixar a aparente crise de relacionamento das duas maiores lideranças contaminar todo o partido. Ele ainda insiste em agenda conjunta de Delcídio e José Orcírio. A ideia de Marcus Garcia é levar os dois para reuniões no interior com objetivo de dar demonstração de unidade e de força política.

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