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Dedicação exclusiva à pesquisa

22 FEV 10 - 03h:25
Quem sai do trabalho de uma biografia e entra em outro é o jornalista e escritor Paulo Renato Coelho Netto, que em breve colocará no mercado o livro “A minha vida até os 40 anos – uma biografia de João Leopoldo Samways Filho”. Foram 15 meses de dedicação exclusiva e, mal colocou ponto final na obra, iniciou a jornada em torno da biografia de Iracy Coelho Netto, seu pai. “Emocionalmente, não está sendo fácil contar a vida dele, que foi promotor, advogado, presidente da OAB em Campo Grande no período do golpe de 1964, e que morreu jovem, aos 52 anos. Fazer uma biografia é quase fazer uma sessão de análise”, analisa. No caso da biografia de Samways Filho, contou com a colaboração da historiadora Lira Dequech, que lhe chamou para o projeto. “Ela cuidou da parte de entrevista. Foram ouvidas cerca de 80 pessoas em várias cidades. Foi um trabalho de equipe e bem profissional, com contrato estipulando todos os detalhes”. O biografado, exproprietário da Faculdade Unaes, tem a trajetória ligada à área educacional. “Não vi muita diferença entre fazer uma biografia e a atuação que sempre tive no jornalismo. Não inventei nada do ponto de vista da estrutura, não sou um romancista. A diferença de uma reportagem convencional é que se tem mais tempo de produzir a biografia, com isso é preciso ter mais fôlego”. O lado jornalista também apareceu no momento de tocar em assuntos mais polêmicos. “Desde o início do projeto achei interessante não canonizar o biografado. Era necessário mostrar acertos e erros”. O livro deverá ser lançado ainda neste semestre. Para Paulo Renato, o segmento de biografias regionais ainda não foi esgotado. “É um campo vasto, um nicho não explorado, mas é preciso ser profissional; pensar que o material terá que ser lido daqui a 50, 100 anos e ainda manter seu valor. A biografia é um documento”. Lucilene destaca que os livros com memórias viraram material para as universidades e começam a ser estudados. “É um diálogo com a academia, que apresenta seus primeiros resultados”, afirma. Outro autor local dedicado às biografias é o professor universitário Marcelo Marinho, que lançou em 2008 “Pouso frio – as mais de 12 vidas de um aviador pioneiro no cerrado brasileiro”, contando a trajetória de Júlio Alves Martins, empresário gaúcho que se fixou em Chapadão do Sul.
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