segunda, 23 de julho de 2018

Desemprego

Decreto poderá deixar 1.200 trabalhadores desempregados

18 NOV 2010Por ADRIANA MOLINA00h:01

Decreto do Governo estadual que limita empréstimo consignado aos funcionários públicos apenas com o Banco do Brasil, levou ontem cerca de 250 manifestantes à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. O protesto “Não ao monopólio. Sim ao consignado livre”, reuniu funcionários e proprietários de financeiras de todo o Estado. A preocupação dos manifestantes é o fechamento das instituições e o desemprego de 1.200 trabalhadores. O decreto foi publicado em fevereiro passado e, desde então, um processo se arrasta no Judiciário, com decisão favorável às financeiras em primeira instância e outra, em segunda instância, no último dia 4, favorável ao Banco do Brasil.

Agora a decisão final deverá ser dada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As cerca de 60 financeiras temem que o julgamento do STF demore e que, o decreto, que passará a valer em fevereiro de 2011, gere a demissão em massa dos trabalhadores do setor. Isso porque, muitas empresas deverão fechar as portas, pois 95% da carteira de clientes desse tipo de empreendimento em Mato Grosso do Sul estão nos empréstimos consignados a servidores públicos.

“Temos 1,2 mil pessoas que podem ser demitidas de imediato. E as demissões já começaram ontem mesmo (terça-feira) por conta de mais uma ordem do Governo relacionada ao assunto”, afirmou a presidente da Associação de Corretores de Crédito de Mato Grosso do Sul (Asdecc), Cleide Salentim dos Santos. A representante atribuiu o início das rescisões mesmo antes de a lei começar a vigorar a redução do número de parcelas dos financiamentos de 72 para 48 meses, que entrou em vigor na última segunda-feira, enquanto que o Banco do Brasil continuará operando com empréstimos em 72 meses aos servidores.

“Nós só queremos trabalhar. E não estamos sendo os únicos prejudicados, mas também os servidores, pois o Banco do Brasil tem uma das maiores taxas de juros, além de não aceitar contratos com servidores que têm restrição de crédito. Hoje cerca de 59% dos servidores estaduais têm alguma restrição”, disse a representante do grupo, Janaína Bernardo, aos deputados no plenário. Segundo a entidade, os juros aos servidores hoje estão em torno de 1,2%, enquanto que o Banco do Brasil cobra 1,9%.

O líder do governo na Assembleia, deputado estadual Youssif Domingos (PMDB) se comprometeu em conversar com o governador para resolver a situação. “Não podemos desconsiderar o impacto nas corretoras mas, por outro lado, existe uma decisão judicial à respeito. Precisamos achar um meio termo”, ponderou.

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