Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

CONFRONTO

Debate fraco de candidatos frustra eleitor

29 SET 2010Por 00h:00

Adilson Trindade e Maria Matheus

O debate da TV Morena (Globo) frustrou a expectativa do eleitor que esperava maior impacto no embate do governador André Puccinelli (PMDB) com o ex-governador José Orcírio dos Santos (PT). Eles voltaram a se enfrentar num debate depois de 14 anos, quando se encontraram na disputa para a Prefeitura de Campo Grande, em 1996. Ontem, os dois evitaram responder algumas perguntas polêmicas sobre denúncias de desvio de verbas. O problema é que as regras engessaram os candidatos, não permitindo a exploração com mais profundidade das suas ideias e de responder as acusações.
Mesmo assim, houve momentos de troca de ataques especialmente entre os dois principais candidatos. Eles também usaram a tréplica às respostas das perguntas feitas ao candidato do PSOL, Nei Braga, para continuar fazendo acusações e provocações.

Carga tributária
O tema central do primeiro bloco foi a carga tributária. André perguntou a José Orcírio sobre a proposta de zerar o ICMS aos pequenos comerciantes. Segundo o governador, era a mesma de quando o petista disputou o governo pela primeira vez. Orcírio respondeu com ataques, acusando André  de aumentar impostos. “Não é justo que nossos empresários sejam tratados como marginais, bandidos, como são tratados no Governo do PMDB, do André Puccinelli”, afirmou.
André reagiu dizendo que herdou o Estado num caos financeiro. “Não fomos nós que subimos o diesel de 12% para 17%”, declarou. Na tréplica, José Orcírio ironizou dizendo que aprendeu com a sua mãe que “mentira tem perna curta”. O petista ressaltou que o seu adversário não recebeu o Estado quebrado. “Tanto que no primeiro ano fechou com R$ 700 milhões aplicados no mercado financeiro a taxas menores que a da poupança”. O petista admitiu, no entanto, que aumentou o ICMS do combustível “devido à situação vergonhosa” que herdou o Estado, “numa quebradeira”.
Escândalos
Nei Braga abriu o debate sobre o escândalo do vídeo onde aparece o deputado estadual Ary Rigo (PSDB) declarando ao jornalista Eleandro Passaia sobre a distribuição de dinheiro para autoridades. Ele questionou o envolvimento de André no escândalo. “O senhor autorizou a quebra de sigilo para provar sua probidade administrativa, gostaria de saber se vão orientar a fazer o mesmo Mauro Cavalli (foi diretor de licitações da prefeitura da Capital na gestão de André), João Amorim (empreiteiro), Giroto (Edson Giroto, ex-secretário de Obras), Osmar Jerônymo (secretário de Governo) e Éolo Ferrari (empreiteiro)?”.
André respondeu que sua família teve as contas vasculhadas. “Toda a minha família, meus filhos, minhas filhas, minha mulher, todos tiveram suas contas vasculhadas”, afirmou. Segundo ele, isto não vem ocorrendo de agora, mas desde 1997. “Quanto aos demais, eles não têm foro privilegiado como eu e já tiveram as contas vasculhadas”, acrescentou.
Outra troca de acusações ocorreu com a situação financeira da Sanesul. André acusou o seu adversário de pagar R$ 10 milhões por obra não realizada e por perder prazo para defesa em processo. “Recebemos a Sanesul falida, investimos R$ 420 milhões em 4 anos”, afirmou.
José Orcírio contra-atacou comparando o discurso da Sanesul quebrada com o do Estado quebrado. “Eu abro as contas do Estado e vejo R$ 700 milhões aplicados a juro abaixo do mercado. Quem ganha com isto? Eu não sei, o governador deve responder”.
Depois vieram as acusações de André sobre desvios de dinheiro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), investigados pelo Ministério Público Federal (MPF). José Orcírio disse que não foi arrolado como réu e defendeu a punição de assessores se forem comprovadas as denúncias. “Não me protegi por trás da Assembleia, subserviente em negar autorização para o STJ (Superior Tribunal de Justiça) processá-lo”, ressaltou. E prosseguiu José Orcírio: “Em vez de quebrar sigilo bancário, por que não permitir à Assembleia autorizar processo no STJ por enriquecimento ilícito?”.

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