Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

Estabelecimento Penal

Das 323 presidiárias, apenas cinco recebem visitas íntimas

9 JAN 2011Por 00h:00

O número de visitas íntimas no Estabelecimento Penal Feminino Irma Zorzi é baixíssimo, se levarmos em conta que existem por lá mais de 300 detentas. E a explicação é óbvia, ainda que um tanto decepcionante: as mulheres, quando vão presas, são literalmente abandonadas pelos seus companheiros. Apesar de entrarem no mercado ilegal de drogas pela influência masculina, ao serem pegas pela polícia, e depois enviadas para o presídio, elas são totalmente ignoradas pelos seus homens, sejam eles maridos, namorados ou companheiros. Nesta hora, o único apoio é mesmo o da família.

Segundo a diretora do presídio, Dalma, atualmente apenas cinco casais solicitaram a visita íntima, que acontece aos domingos e quartas-feiras.

Na verdade existe todo um processo para solicitar a visita dos cônjuges, que é feito pela Agepen, que obedece a uma portaria do Sistema Penitenciário. Para começar, o companheiro precisa ser cadastrado no sistema, comprovando (através de declarações, certidões de casamento ou dos filhos) que possui vínculo marital com a interna. Depois disto, ela envia uma solicitação, por escrito, ao juiz que abre o processo.

Concedida a permissão de visita, é hora de tomar os devidos cuidados médicos. A instituição se encarrega de todos os detalhes: consulta com ginecologista (do próprio presídio), exames necessários para checar o estado de saúde e entrevistas com psicóloga e a assistente social para orientações sobre DST e gravidez. Além disto, o companheiro também precisa fazer os exames de saúde e levar a comprovação dos resultados.

Depois desta maratona, o casal finalmente terá à sua disposição, semanalmente, o “ninho de amor”. Na verdade, um quarto com banheiro (que a atual diretora fez questão de pintar todo de cor de rosa), ventilador e cama de solteiro (uma regra da qual nem ela sabe dizer o motivo). É neste local que, durante uma hora, os pombinhos poderão matar as saudades. É bom destacar que a portaria que concede o direito às visitas íntimas prevê apenas uma visita mensal (como funciona nos presídios masculinos), mas, com uma demanda tão pequena, Dalma achou por bem concedê-la todas as semanas.

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