Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

FESTIVAL

Dança de rua em alta

11 NOV 2010Por OSCAR ROCHA00h:05

O street dance, termo que engloba as coreografias surgidas a partir da cultura estadunidense hip hop, saiu do gueto. Se nas décadas de 80 e 90, era visto apenas como manifestação restrita a grupos específicos e que não mantinha diálogo com outras manifestações coreográficas – muito menos tinha espaço em grande eventos de dança –, hoje, assiste a uma situação diferente. Ganhou palcos nobres e tem número de adeptos espalhado por quase todos os continentes. “Atualmente, o street dance é o estilo mais dançando no mundo”, afirma o coreógrafo campo-grandense Edson Clair, com mais de 3 décadas dedicadas à dança e há 17 anos ao street.

A importância do gênero pode ser verificada no evento que Edson coordena desde 2004, o MS Street Dance Fest,  que reunirá a partir de hoje, em Campo Grande, perto de 485 bailarinos, originários de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Distrito Federal e até dos Estados Unidos. “Para ter uma ideia da valorização do street, até um tempo atrás o Festival de Dança de Joinville, que é o mais importante do Brasil e um dos mais importes do mundo, não havia uma categoria de street. Tanto que os artistas e grupos se apresentavam em jazz. Isso mudou. Agora, há uma categoria própria e os trabalhos em street chegam a abrir a programação”, destaca Edson. Mesmo com reconhecimento, o coreógrafo acha que há necessidade de mais divulgação e é isso que o evento que ele coordena pretende.

Várias possibilidades do street estarão em destaque na programação, incluindo apresentações, competições, oficinas, entre outros. A primeira edição aconteceu em 2004, sendo suspenso por 3 anos. O retorno aconteceu em 2008. A abertura, que acontece às 20h, no Teatro de Arena do Horto Florestal, será feita pelo grupo Funk-se com o espetáculo “Frágil ou sentido da ruptura”. Segundo Edson, a montagem mostra como o street pode ter uma abordagem ampla e possibilita novas experiências artísticas. “É um trabalho que fala dos índios de Mato Grosso Sul, utilizando uma linguagem contemporânea para cair no regional. Quando fomos fazer a pesquisa em Dourados com os índios vimos como o street e outros elementos do hip hop são assimilados por eles. Na ocasião, os índios não tinham uma música própria para dançar o street e utilizavam cânticos locais. O grafite era feito com piche. Que dizer, davam respostas próprias para o que o street pedia”, avalia Edson.

A programação prossegue amanhã com a Mostra de Danças Escolares. A intenção é reunir os trabalhos que estão sendo desenvolvidos em  danças populares em instituições de ensinos particulares, municipais e estaduais. “Vale axé, reboletion, funk até balé clássico. O que queremos é mostrar o que as escolas estão fazendo. É uma ideia que queremos ampliar nos próximos anos”.

Na sexta-feira, haverá competição de hip hop e freestyle.  No sábado, a abertura será feita pelo grupo D-Efeitos, ganhador da competição do SBT “Qual é o seu talento?” e destaque no Festival de Joinville. Depois haverá apresentações de projetos da Capital e do interior, além de outros estados. No último dia, acontecerá  apresentações de vários grupos e a final de disputa  da B-Boys. Na quinta  e sexta-feira a entrada será franca. No sábado e domingo, R$ 10 (cadeira) e R$ (arquibancada). Outro destaque do evento serão as oficinas. Entre os convidados, estará Bryan Tanaka, responsável pelas coreografias de nomes importantes da música internacional, como Beyoncé e  Rihanna. Ainda estão sendo feitas negociações para ele dançar na final do evento, que está sendo patrocinado em parte pelo Fundo de Investimentos Culturais (FIC) e conta com vários apoios.

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