Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

COMBUSTÍVEIS

Custos elevados preocupam revendedores

8 FEV 2011Por DA REDAÇÃO14h:05

Reajuste dos salários dos funcionários, novas exigências com relação à legislação fiscal, investimentos visando a adequação dos postos às leis ambientais e aumento das despesas com encargos sociais são algumas das questões que estão levando preocupação aos revendedores de combustíveis em Mato Grosso do Sul, que entre fevereiro e março terão que arcar com a elevação dos custos de manutenção de suas unidades.

A negociação a respeito de eventual reajuste dos salários dos funcionários, que se iniciam nesse mês de fevereiro, é um dos temas que está mobilizando os sindicatos patronal e laboral. Os trabalhadores pleiteiam reajuste salarial em torno de 24%, além de várias outras reivindicações que de forma direta e indireta são sinônimos de custos aos revendedores.

Os salários acumularam reajustes elevados nos últimos 08 (oito) anos, puxados em muito pela acelerada e elevada alta do salário mínino, que também teve aumentos bem acima dos índices medidores de inflação nesse mesmo período. O piso da categoria vem sendo superior ao salário mínimo, mas os empresários não conseguiram ainda repassar integralmente esse acréscimo a seus preços.

Paralelamente, o aumento de volume de vendas aconteceu em proporção bem menor ao necessário, o que resultou na queda da rentabilidade, o que coloca em risco a manutenção das empresas nesse ramo de atividade.

Os benefícios já existentes para a categoria profissional e previstos em Convenção Coletiva e na legislação trabalhista, acrescidos dos encargos sociais e demais encargos incidentes sobre eles, ao lado do reajuste salarial vindouro, certamente irão provocar impacto sobre os custos dos revendedores para a manutenção e funcionamento dos postos.

“Infelizmente, somos obrigados a absorver esses custos e repassá-los ao preço final dos produtos que comercializamos”, lamenta Mário Shiraishi, presidente do Sinpetro, ao justificar que “o repasse é conseqüência normal não só no segmento da revenda de combustíveis, mas como também em qualquer outra atividade econômica da iniciativa privada de nosso País”.

Ele lembrou que nos últimos anos os empresários foram obrigados a promover altos investimentos a fim de adequar os seus estabelecimentos às exigências da legislação ambiental.

“Tanques em diversas unidades foram trocados, estamos investindo na instalação de caixas coletoras de resíduos e ainda temos que arcar com custos permanentes com o monitoramento da qualidade da água e do solo em nossas unidades”, ressaltou Mário Shiraishi.

Com relação à legislação fiscal, ele destacou que os empresários tiveram que investir na instalação de medidores eletrônicos de estoque, trocar impressoras matriciais por equipamentos à laser em função das modernização das ferramentas de controle e acompanhamento da Secretaria de Fazenda, como a nota fiscal eletrônica, bem como na aquisição de outros equipamentos e softwares.

“Os custos estão cada vez mais elevados, o que nos deixa bastante preocupados, já que se torna inevitável repassá-los aos consumidores”, argumentou Mário Shiraishi.

Se de um lado é preciso muita reflexão neste momento por parte da revenda de combustíveis em relação à condução do seu negócio, de outro lado também é preciso que o Poder Público se sensibilize no sentido de buscar alternativas que diminuam a carga tributária que em cadeia (federal, estadual e municipal), direta ou indiretamente, incide sobre a atividade dos postos revendedores de combustíveis.

Prejuízos

Por conta da elevada tributação no setor, em Campo Grande mais de 30 postos foram fechados nos últimos anos. Já no interior do Estado, principalmente na região de fronteira, pelo menos 15% dos revendedores abandonaram o negócio.

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