Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

Comportamento

Cumplicidade total

18 NOV 2010Por OSCAR ROCHA00h:05

O surrado jargão publicitário – não basta ser pai, tem que participar – também pode ser utilizado bem antes de a criança aprender a andar, pedalar ou chutar uma bola de futebol. Na verdade, a participação do pai pode ser efetiva já no período da gravidez da esposa e no pós-parto. Isso não somente pela atenção à esposa, como também na busca de informações para ajudá-la mais. Ao contrário de outros tempos, quando essas informações somente interessavam à mulher, hoje ganham relevância para os maridos, entendendo que a chegada de um filho é um momento especial para a vida do casal, motivando maior cumplicidade.

“Com certeza, os homens estão cada vez mais participantes nesse período, ao contrário de outros momentos. Na gravidez, a mulher fica mais sensível, emotiva, por isso é importante que o homem esteja mais presente”, aponta a nutricionista Camila Leria, que atua como palestrante em cursos para grávidas e aos  maridos, assim como outros familiares. “É visível a participação dos homens nesses cursos, sendo que grande parcela  é constituída de jovens na faixa entre 20 e 30 anos”.

Alisson Almeida é um dos exemplos. Aos 23 anos, pai de primeira viagem, não reclamou em enfrentar um curso semanal para saber das mudanças que estavam passando a esposa durante a gravidez e como devia se portar após o nascimento da filha, que agora está com 2 meses. “As mulheres têm as mães para falarem como devem agir na gravidez, mas os homens não são informados pelo pai como devem agir quando a esposa está grávida”, brinca Alisson. Além de acompanhar a esposa nas consultas médicas, seguiu passo a passo as orientações que recebeu de especialistas no curso que frequentou. “Boa parte dos homens não sabem, mas podem ajudar e muito a esposa até na hora da amamentação. Isso mesmo. Como ela não pode se estressar e precisa de muita hidratação, cabe a mim manter um ambiente calmo e oferecer a ela água, suco e até mesmo pegar o bebê para arrotar”, exemplifica.     

O analista de produção Fábio Carvalho, 30 anos, casado há 10 anos com a auxiliar administrativo Tatiane Torres da Costa Carvalho,  é um daqueles que não perderam a oportunidade de entender o processo pelo qual passou  sua esposa. Pai de Vitor, 4 anos, e Vinícius, três meses, participou dos cursos durante as duas gestações da esposa. “Foi muito importante receber orientação de como devia ajudar minha esposa. Na primeira vez, era marinheiro de primeira viagem. Fiz a segunda vez para ver se tinha novidades”, destaca Fábio. Mas não é somente na parte física e psicológica que ele acha que o pai pode participar ativamente. Cita questões como compra do enxoval da criança e mesmo opiniões em aspectos práticos do bebê como fundamentais para mostrar o companheirismo.
“Desde a concepção ao nascimento, o pai precisa estar sempre atento, mostrando  cumplicidade. Precisa fazer carinho na barriga da esposa, falar com o bebê. Se todo esse processo for feito a criança reconhecerá mais facilmente o pai. Há pesquisa mostrando isso”, diz Camila. Outro aspecto que a palestrante aponta como importante para o esposo compreender  que naquele momento a esposa precisará dividir a atenção dele com o filho. “Geralmente, o homem se sente o rei da casa, antes do nascimento do bebê, depois se sente meio abandonado e se entender o processo pelo qual passa a esposa  facilitará muito para ambos”, ressalta Camila Leria.

Tamirez Moreira Paes, 23 anos, esposa de Alisson, diz que a participação do marido durante a gravidez e no pós-parto foi fundamental para dar segura. “Ele participou de tudo e tem participado. Foi às consultas comigo e participou do curso. Notei que, mesmo com muitos maridos participando desta etapa da vida do casal, ainda há muitos que não participam”. Ela não se lembra de conhecidos e familiares fazerem o mesmo que seu marido fez. No pós-parto, questões como amamentação, depressão, cansaço da esposa precisam ser observados com atenção pelos maridos. “Se não tivesse ido a um curso, com certeza, não saberia da importância disso tudo para minha mulher e minha filha”, aponta Alisson.

Tatiane, esposa de Fábio, considera a participação masculina durante o período da gestação como uma prova de amor e valorização que os homens estão dando à família. “Isso traz benefícios a todos, sem exceção, mostrando como a estrutura familiar é importante para toda à sociedade”. Para a palestrante Camila Leria, um bom contato do pai com a esposa na gestação e pós-parto podem reforçar os laços entre  pai e filho. “A aproximação fica real desde os primeiros momentos”. Isso que quer dizer que, além de ser pai, tem que trocar fraldas, ajudar na mamadeira... o bebê e o restante da família agradecem.

Cursos gratuitos para gestantes
Gerar um filho é um dos momentos mais marcantes na vida de uma mulher. As transformações no corpo acontecem de maneira muito rápida e as dúvidas em relação aos cuidados com o bebê são muitas.

É justamente com objetivo de orientar às futuras mamães, sejam elas experientes ou aquelas que estão descobrindo pela primeira vez as sensações da maternidade, que a Unimed Campo Grande, por meio do Serviço de Medicina Preventiva, promove nos dias 22, 24, 26 e 29 de novembro, às 19h, a 31ª edição do Curso de Gestantes, na sede da Cooperativa, localizada na Rua Goiás, 695. A entrada é gratuita e o curso é aberto a toda a comunidade. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones: 3389-2854 e 3389-2616.

O Sesc Horto também está com inscrições abertas para o Curso para Gestantes, marcado para 6 a 10 de dezembro, de segunda a sexta-feira, das 18h30min às 20h30min. Durante o ciclo de palestras, as gestantes receberão orientações sobre condutas durante a gravidez, como alimentação adequada e o ritmo ideal de exercícios físicos. Mais informações pelo telefone 3321-3181.
 

Leia Também